IL/Açores propõe criação de estaleiro para náutica de recreio na Praia da Vitória
2 de fev. de 2023, 13:56
— Lusa/AO Online
“Muitas
vezes pensa-se em projetos megalómanos, que depois não têm pernas para
andar, que não têm sequer fundamento técnico, e vão-se esquecendo
pequenos investimentos que podem ser feitos facilmente ao alcance de uma
empresa como a Portos dos Açores e que potenciam não só a valorização
desses investimentos, mas outras coisas que se criam a montante”,
afirmou, em declarações aos jornalistas, Nuno Barata.O
deputado único da IL no parlamento açoriano falava à margem de uma
visita ao porto das Pipas, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, onde o
espaço para náutica de recreio está “completamente cheio” e “sem
capacidade de expansão”.Nuno Barata
sublinhou que o porto da Praia da Vitória, no outro concelho da ilha,
tem “um espaço de terrapleno enorme, onde é possível fazer um estaleiro
para náutica de recreio”, alegando que o investimento poderia “potenciar
bastante a economia da ilha Terceira”.Segundo
o deputado liberal, “o núcleo de pescas da Praia da Vitória tem dois
pescadores profissionais”, que podiam ser “acomodados de outra forma”, e
há um espaço de cerca 50 hectares que poderia ser utilizado como zona
de estaleiro e de parqueamento de embarcações, sem colocar “qualquer
tipo de constrangimento” ao porto comercial.“Está
desaproveitado. Em tempos foi pensado como um 'hub' logístico
internacional, um absurdo que alguém se lembrou de vender, uma quimera
absolutamente vã”, afirmou.Nuno Barata
garantiu que o investimento necessário chegaria no máximo a cinco
milhões de euros e podia traduzir-se num retorno de “50 ou 60 milhões de
euros por ano”.“A invernagem em qualquer
porto de náutica de recreio do norte da Europa ou do Mediterrâneo está
superlotada e além disso é extremamente cara. Nós aqui temos preços
competitivos. Podemos subir os nossos preços 10 vezes e ainda
continuamos a ser competitivos. E temos uma outra vantagem: estamos no
meio do Atlântico e temos aviões diretos aos Estados Unidos e à Europa
praticamente todos os dias”, frisou.Na
ilha de Santa Maria, por exemplo, uma empresa já criou "sete postos de
trabalho" nesta área e tem o terrapleno “completamente cheio”.“A
reparação naval nesse tipo de embarcações potencia o crescimento de
postos de trabalho altamente bem remunerados”, salientou o parlamentar.O
deputado da IL defendeu também que o porto da Praia da Vitória poderia
acolher um estaleiro para embarcações de maior porte, evitando que os
‘ferries’ da empresa de transporte de passageiros Atlânticoline e os
quatro rebocadores da região tivessem de fazer reparações no continente
português.Nuno Barata termina hoje uma
visita de quatro dias à ilha Terceira, onde disse ter encontrado
“empreendedorismo e inovação”, mas também um parque escolar com
necessidades urgentes de intervenção.“Na
escola de São Sebastião, que tem dez anos, fui encontrar, por exemplo,
um auditório que está inutilizado porque chove lá dentro e cria
constrangimentos ao nível da eletricidade. As cadeiras estão a
degradar-se por causa da humidade e da água que lá circula pelo chão. Há
corredores que têm os tetos a cair e salas de aula que têm tapetes e
baldes no chão para aparar a água quando chove”, apontou.O
deputado criticou ainda a "classe política letárgica" da ilha Terceira,
"que passa a vida a agitar bandeiras velhas, que já não devem ser
agitadas, que usa e abusa do bairrismo e de discursos e narrativas que
não levam a lado nenhum”.