IL/Açores lamenta “divisões” entre açorianos e ilhas fomentadas por políticos
Hoje 16:07
— Lusa/AO Online
Em
declarações aos jornalistas após uma reunião com a administração do
Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, o
parlamentar lamentou “profundamente que os políticos, em vez de estarem
preocupados em resolver aqueles que são os problemas de gestão dos
serviços de saúde” na região, “estejam preocupados em pôr açorianos
contra açorianos e a dividir para reinar”.Pedro
Ferreira referia-se à discussão em torno da construção de um novo
hospital na ilha de São Miguel, “a que alguns decidiram chamar de futuro
hospital central”, indicou a IL/Açores num comunicado.Em
março, um grupo de cidadãos da ilha de São Miguel ligados aos meios
políticos, empresariais, culturais e sociedade civil lançou uma petição a
defender que o HDES seja o “hospital central e universitário” do
arquipélago.No início de abril, o
presidente da Câmara de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, prometeu
ser “intransigente” na defesa de um hospital central e universitário”,
enquanto o líder do CDS-PP/Açores, Artur Lima, defendeu uns dias depois
que a criação de um hospital central universitário na ilha de São Miguel
“não é uma etiqueta política” e tem de obedecer a critérios técnicos,
clínicos, científicos e académicos.Segundo
o deputado da IL/Açores, o HDES “já é a maior infraestrutura física de
saúde da região, com mais profissionais, possibilidades e doentes”, e
“só não é central porque a lei nem sequer prevê a existência de
hospitais centrais e isso não está escrito na porta”.Afirmando
que “ninguém consegue gerir um hospital que tem um défice de um milhão a
1,5 milhões de euros por mês”, o parlamentar disse que “as
administrações até têm identificados os níveis de ineficiência, até
sabem onde é que podem poupar […], mas depois não têm respaldo de quem
está acima, das tutelas, que, infelizmente, preferem estar com esses
entretenimentos políticos, para distrair os açorianos, em vez de
resolverem o essencial”.“O que nos
preocupa, de facto, é olharmos para estas realidades e depois
percebermos que, na prática, aquilo que a política devia efetivamente
estar a facultar e a facilitar no exercício da gestão destes serviços
essenciais não facilita”, afirmou.Referindo-se
à reestruturação do HDES, Pedro Ferreira disse que o que “está ser
preparado para acontecer resulta, de facto, das consequências do
incêndio” que o atingiu em 04 de maio de 2024, mas, antes disso, a
unidade de saúde “já tinha limitações graves de funcionamento” problemas
por resolver.O liberal indicou também que
o “plano funcional definido para o redimensionamento do HDES não
acrescenta uma única nova especialidade”.O
que está a ser preparado, acrescentou, “é um redimensionamento do
hospital de Ponta Delgada” para fazer face a duas necessidades básicas:
“fazer face às novas orientações internacionais na área da saúde,
nomeadamente em áreas de internamento”, e “manter todas as
especialidades e toda a diferenciação médica e clínica que o hospital de
Ponta Delgada já tem”.Pedro Ferreira
lembrou ainda que o estudo da Deloitte encomendado pela atual
administração mostra “um conjunto de ineficiências internas” fruto das
“limitações infraestruturais” que o HDES tinha. Como exemplo, indicou
que “não é possível o hospital ter uma unidade de cuidados intensivos
numa ponta do edifício e uma unidade de cuidados intermédios, que têm de
estar ligadas, na outra ponta do edifício”.Nesse
sentido, considerou que o HDES vai ter de crescer para responder às
necessidades, recordando que “a Terceira também já teve um hospital
novo” e o “hospital da Horta também já cresceu quando foi preciso dar
novas e melhores respostas”.