IL/Açores diz que novo modelo de subsídio de mobilidade prejudica açorianos
11 de dez. de 2024, 15:02
— Lusa/AO Online
“Os açorianos já
estão a perder e a ser prejudicados, e muito, com este novo modelo do
subsídio social de mobilidade”, disse Nuno Barata na declaração
política que fez no parlamento regional açoriano, na Horta, ilha do
Faial.O parlamentar recordou que o
subsídio foi instituído para mitigar os custos das viagens aéreas entre o
continente português e as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira e
que o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, ouvido na Comissão
de Economia, garantiu que nenhum açoriano sairia prejudicado com as
alterações introduzidas.“Mas há meses que
muitos açorianos já estão a ser altamente prejudicados, não só porque
estão a pagar mais pelas passagens aéreas entre os Açores e o
continente, com o teto máximo de 600 euros, como existem cada vez mais
dúvidas sobre as interpretações da portaria que regula o subsídio social
de mobilidade”, afirmou.Segundo Nuno Barata, o governante “mentiu aos deputados” do parlamento regional e, “por isso, mentiu aos açorianos”.O
parlamentar lembrou ainda que PSD, CDS-PP e Chega reprovaram um
requerimento da IL para chamar à Comissão de Economia o ministro, os
CTT, a Inspeção Geral de Finanças e agentes de viagens e turismo,
admitindo que “não querem ver” o assunto esclarecido.Para
o deputado único da IL, a alteração ao subsídio de mobilidade “revelou a
negligência dos centralistas de Lisboa que, apesar de serem da mesma
cor política, ignoraram a Região Autónoma, o seu povo, os seus legítimos
representantes e os seus órgãos de governo próprio”.No
debate, José Pacheco (Chega) justificou que o partido chumbou a audição
do ministro das Infraestruturas porque anteriormente o governante
“mentiu aos açorianos” e não faz sentido ouvir “novas mentiras”.O
socialista Luís Leal também afirmou que o ministro “mentiu
descaradamente aos açorianos” e que, neste momento, os residentes no
arquipélago pagam “acima dos 600 euros” na ida e volta entre os Açores e
o continente.Já o deputado António Lima
(BE) referiu que o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) é “incapaz de falar
com o ministro que interpreta a lei, para interpretar de outra forma”.“É, de facto, um triste cenário, aquele a que estamos a assistir, na mobilidade aérea nos Açores”, afirmou.Pelo
PSD, Joaquim Machado referiu que a declaração política da IL apresenta
“um conjunto de generalidades” e “não concretiza coisa nenhuma”.O
social-democrata desafiou ainda o PS a apresentar uma fatura “que tenha
sido efetivamente paga pelo valor acima de 600 euros”, em vez de
simulações, ao que o socialista João Vasco Costa respondeu que iria
fazer chegar à mesa da assembleia documentos com valores superiores.Joaquim
Machado disse que o partido pretendia apresentar hoje a proposta de lei
para “resolver o problema dos imigrantes” que não são abrangidos pelo
subsídio.Paulo Margato (PPM) assegurou, em
relação ao teto máximo da tarifa (600 euros), que o executivo regional
“opôs-se veementemente a esta medida e deu nota ao Governo da
República”.Por sua vez Pedro Pinto
(CDS-PP) afirmou que o tema é “muito sério” e lembrou que o partido foi o
primeiro a manifestar-se publicamente contra o teto apresentado para as
viagens. A secretária regional do
Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, recordou que o
subsídio de mobilidade foi instituído por um governo do PSD e que a
atual situação verifica-se, “infelizmente, mercê de um conjunto de
práticas abusivas”.Todos os pareceres
enviados pelo Governo Regional para a República “foram no sentido de não
concordar com o teto máximo”, disse, indicando que também a questão dos
imigrantes, que “está no decreto-lei” em vigor, será alterada: “É isso
que está em causa neste momento, é alterar o decreto-lei”.