IL/Açores diz que é preciso repensar o papel do setor cooperativo na região
3 de jun. de 2025, 16:23
— Lusa/AO Online
“Todos
devem ter a coragem de reconhecer os sucessivos erros do passado e que
continuam bem patentes no presente: as cooperativas foram desvirtuadas
da sua natureza original e transformadas em estruturas quase totalmente
dependentes do Governo Regional”, afirmou Nuno Barata.O
deputado da IL, que falava no parlamento regional, na Horta, numa
interpelação ao Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) sobre os setores
agroindustrial e cooperativo da região, alertou que as cooperativas
“estão hoje num nível de dependência quase total de subsídios” e de
“apoios públicos sucessivos”.Depois de
referir que “é impossível ignorar o peso financeiro que o setor
cooperativo tem tido nas contas da região ao longo dos anos”, o
parlamentar lembrou que algumas cooperativas “estão tecnicamente falidas
há anos e apenas continuam a operar graças a uma contínua e
descontrolada injeção de subsídios e apoios públicos”.“Esta
situação não só distorce a economia regional como compromete a
confiança dos cidadãos nas instituições públicas. É tempo de pôr fim a
esta dependência crónica e repensar o papel do setor cooperativo,
promovendo autonomia, sustentabilidade e mérito e isso só se faz
deixando-as trilhar os seus caminhos com liberdade e autonomia, com
responsabilidade e com rigor”, defendeu.Na
opinião de Nuno Barata, “continuar a sustentar estruturas
sobredimensionadas, em contexto de aumento generalizado de custos, é
caminhar rumo a um beco sem saída”.O
secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura,
reconheceu que algumas cooperativas “precisam ainda de ultrapassar
fragilidades, desde logo, com uma melhor profissionalização da sua
gestão”.O governante adiantou que a dívida
global das cooperativas de leite ronda atualmente os 63,5 milhões de
euros (em 2020 era de cerca de 68 milhões de euros).Também
revelou que “muitas cooperativas, atendendo à implementação de uma
gestão profissional e eficaz, têm vindo a realizar um trabalho notável,
quer na redução da dívida como na valorização dos seus produtos”.No
debate, a deputada Patrícia Miranda (PS) referiu que as cooperativas
agrícolas e a agroindústria “são, há décadas, pilares fundamentais da
agricultura nos Açores”, mas considerou urgente a criação de planos
estratégicos para a Modernização e Inovação da Agroindústria e para a
Reestruturação e Modernização das Cooperativas Agrícolas.O
deputado Francisco Lima, do Chega, referiu que a intervenção de Nuno
Barata foi oportuna, pois reflete a situação atual do setor cooperativo
leiteiro no arquipélago. Paulo Silveira
(PSD) afirmou que as cooperativas têm um papel fundamental e são
"verdadeiros pilares" para a fixação de população ativa no meio rural. O
parlamentar do BE, António Lima, apontou que as dificuldades por que
passam algumas das cooperativas açorianas “são consequência de
estratégias e de políticas que têm dominado o setor”.Para
João Mendonça (PPM), o setor agroindustrial “é um dos pilares
fundamentais da economia dos Açores” e retirar apoio público às
cooperativas “seria colocar os agricultores numa situação vulnerável
face aos grandes grupos económicos”.Já o
deputado Pedro Neves (PAN) alertou que a agricultura açoriana “está a
perder a sua parte extensiva e está a ser cada vez mais intensiva”.O
líder parlamentar do PSD, Bruto da Costa, afirmou que os Açores têm
especificidades próprias que justificam “um apoio majorado” em relação
às atividades tradicionais que são suportadas pelas cooperativas
agrícolas.Já a líder parlamentar
socialista, Andreia Cardoso, concluiu, pelo resultado do debate, que é
possível promover a valorização de produtos e atribuir “mais e melhores
rendimentos” aos produtores.