IL/Açores admite votar contra Orçamento de 2027 com investimento “diminuto”

Hoje 19:16 — Lusa

“Provavelmente ainda vamos ter mais uma reunião dos órgãos regionais da IL, […] mas no quadro daquilo que tem sido a análise dos últimos orçamentos, não me parece que os membros da IL defendam um voto a favor”, afirmou Nuno Barata.Segundo o dirigente e deputado único regional da IL, que em 2025 também votou contra o Plano e Orçamento para este ano, a responsabilidade da aprovação dos documentos “é muito mais do PS e do Chega, que já assumiram votos de abstenção”.“Eles [PS e Chega] concordam quase sempre com isso e são coniventes com orçamentos dessa natureza. É isso que eles também sabem fazer, orçamentos estadistas, com o Estado no centro das atenções, e [com] o Estado a acudir a tudo e a todos e nós não acreditamos nisso”, disse o político em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, no final de uma reunião do grupo de coordenação local da IL que serviu para analisar as propostas de Plano e Orçamento do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) para 2027.Segundo Nuno Barata, da análise dos documentos, o partido concluiu, ao nível do Plano de Investimentos para o próximo ano, que, apesar dos alertas, “continua a ter opções de médio prazo que são, no fundo, de despesa corrente. E isso não faz qualquer sentido”.Também referiu que o investimento é “quase diminuto” e os documentos apresentam-se “sem novidades” relativamente aos anteriores.Na sua opinião, o Governo Regional liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro, “não está interessado em travar a espiral do endividamento”, por isso, o partido admite votar contra a proposta.Depois de referir que “há sempre espaço ao diálogo”, salientou que caso o executivo, desde que tomou posse, em 2020, tivesse “ouvido mais a IL e executado mais” as suas sugestões para a governação, “provavelmente a região estaria melhor do que está neste momento”.Nuno Barata reafirmou que o atual Governo Regional é “mau” e é “o pior Governo da história da autonomia, porque não dialoga, porque não sabe o que está a fazer e, principalmente, porque deixa um legado de dívida para o futuro”.O coordenador regional da IL açoriana, que falava após a realização das audições aos membros do Governo Regional, realizadas na quinta e na sexta-feira, nas comissões especializadas da Assembleia Legislativa, salientou que o Orçamento proposto para 2027 aponta para 1.840 milhões de euros de receitas próprias e 2.103 milhões de despesa efetiva.“Significa isto que, estamos perante um Orçamento que não inverte o rumo de trajetória do aumento da despesa, da dívida e do endividamento e que já aponta para um défice orçamental de mais de 263 milhões de euros no próximo ano”, acrescentou.Afirmou, ainda, que para fazer face ao aumento da despesa corrente e ao aumento da dívida, a região prevê endividar-se “em 663,5 milhões de euros”, o que representa “mais de 26% do total das receitas próprias da região”.A anteproposta de Plano dos Açores para 2027 prevê um investimento global de 1.057 milhões de euros, 650 milhões de euros de “responsabilidade direta” do Governo Regional.A discussão e votação do Plano e Orçamento dos Açores para 2027 vai acontecer este mês na Assembleia Legislativa Regional, na cidade da Horta, na ilha do Faial.