IL/Açores acusa Governo Regional de “lamentável regionalização" da comunicação social
9 de out. de 2024, 15:48
— Lusa/AO Online
O
Governo dos Açores anunciou que vai propor a criação
de um apoio extraordinário aos órgãos de comunicação social privados com
um valor global até 480 mil euros, salientando que a subvenção pública
“é um dever da democracia”.Em comunicado
de imprensa, a direção regional da IL, coordenada por Nuno Barata,
lamenta que passados quatro anos da governação açoriana da coligação
PSD/CDS-PP/PPM os órgãos de comunicação social "continuem a receber os
apoios criados pelos governos do PS”. “A
única coisa que foram capazes de fazer foi prorrogar, anualmente, a
vigência do Promedia 2020”, apontam os liberais referindo-se ao Programa
Regional de Apoio à Comunicação Social Privada.
A IL/Açores considera que a proposta agora anunciada pelo Governo
Regional limita-se a "copiar uma medida socialista adotada no tempo da
pandemia de covid-19, propondo-se gastar cerca de meio milhão de euros
para pagar ordenados de jornalistas e de profissionais dos órgãos de
comunicação social”.A IL sublinha que "não
é contra um sistema de apoio aos órgãos de comunicação social que seja
passível de escrutínio e que sirva para fazer face a investimentos
essenciais à manutenção dos seus serviços técnicos”, mas manifesta-se
“profundamente contra" o facto de "ser o Governo Regional, através dos
impostos de todos os açorianos, a pagar ordenados a jornalistas”.Para a IL/Açores está-se perante "uma vergonhosa e lamentável regionalização dos órgãos de comunicação social privados".A
"única forma que o Governo dos coligados encontrou para fazer face a
uma situação débil das empresas ou associações (detentores de títulos de
comunicação social) é meter-lhes nas contas bancárias o montante bruto
equivalente a quatro salários mínimas regionais para o ano de 2024”,
lê-se no comunicado.A direção regional da
IL critica os "apoios encapotados para o pagamento de massa salarial a
jornalistas”, lembrando que vem denunciando "esta tentativa regional de
violar, de forma crítica, a independência, isenção e imparcialidade dos
órgãos de comunicação social privados regionais", uma medida que estava
"escondida na proposta de Orçamento da Região para 2024" tendo sido "um
dos motivos que levou o deputado único da IL, Nuno Barata, a votar
contra” o documento.Para a IL/Açores o
Governo Regional está "a intrometer-se perigosamente na liberdade destes
profissionais e das suas entidades empregadoras".A
medida agora proposta pelo executivo regional "abre uma caixa de
pandora inadmissível para que outros setores de atividade venham a
exigir semelhantes apoios para garantir o seu funcionamento”, aponta o
partido, reiterando a necessidade de uma comunicação social "livre,
independente do poder político, um bastião da liberdade de expressão e
do debate de ideias”.