Igreja venezuelana rejeita uso político do Natal decretado por Nicolás Maduro
4 de set. de 2024, 12:17
— Lusa/AO Online
"O Natal é uma
celebração universal. O modo e o tempo da sua celebração são da
competência da autoridade eclesiástica. Esta festividade não deve ser
utilizada para fins propagandísticos ou políticos", refere a CEV num
comunicado publicado na rede social Instagram.A
instituição recorda que as datas a considerar para o Natal incluem o
dia 01 de dezembro, quando se inicia o 'Advento' ou a preparação para a
comemoração do nascimento de Jesus, e o início do "tempo litúrgico", que
começa a 25 de dezembro e termina a 06 de janeiro.Esta
segunda-feira, durante o seu programa semanal de televisão, Nicolás
Maduro anunciou que iria antecipar o início das celebrações natalícias
para 01 de outubro "em homenagem" e " gratidão" ao "povo trabalhador"
venezuelano. "Estamos em setembro e cheira
a Natal, cheira a Natal. E é por isso que este ano, em homenagem a
vocês, em gratidão a vocês, vou decretar que o Natal será antecipado
para o 1º de outubro", disse o Presidente.Não
é a primeira vez que Maduro antecipa o Natal para outubro e intensifica
durante esse período e até ao final de dezembro a distribuição de ajuda e
sacos de alimentos nos bairros, através dos chamados Comités Locais de
Abastecimento e Produção (CLAP).A tomada de posse de Nicolas Maduro está agendada para depois do Natal e do Ano Novo, para dia 10 de janeiro. A
Venezuela, país que conta com uma expressiva comunidade de portugueses e
de lusodescendentes, realizou eleições presidenciais no passado dia 28
de julho, após as quais o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) atribuiu a
vitória a Maduro com pouco mais de 51% dos votos, enquanto a oposição
afirma que o seu candidato, o antigo diplomata Edmundo González Urrutia,
obteve quase 70% dos votos. A oposição
venezuelana e diversos países da comunidade internacional denunciaram
uma fraude eleitoral e exigiram que sejam apresentadas as atas de
votação para uma verificação independente, o que o CNE diz ser inviável
devido a um “ciberataque” de que alegadamente foi alvo. Os
resultados eleitorais têm sido contestados nas ruas, com manifestações
reprimidas pelas forças de segurança, com o registo de cerca de duas mil
detenções e de mais de duas dezenas de vítimas mortais.