Igreja quer fazer pontes com a Cultura, Economia, Política e a sociedade em geral
16 de jun. de 2024, 19:23
— Paulo Faustino
O Conselho Pastoral Diocesano decidiu propor ao Prelado Diocesano o
desenvolvimento de estruturas de diálogo com a Cultura, Economia,
Política e a sociedade em geral para que “a Igreja não chegue tarde e
com respostas sempre negativas aos desafios e contradições que o mundo
lhe coloca”.Esta é uma das principais conclusões do Conselho
Pastoral Diocesano, que decorreu de 8 a 10 deste mês, no Centro Pastoral
Pio XII, em Ponta Delgada, no qual participaram 43 conselheiros, na sua
grande maioria leigos de todas as ilhas e áreas da pastoral diocesana, e
e ainda quatro observadores, a convite do Bispo de Angra, D. Armando
Esteves Domingues.De acordo com comunicado, os trabalhos desta
reunião, seguindo a proposta do Itinerário Pastoral Diocesano,
centraram-se nos três laboratórios definidos: da Sinodalidade, da
Fraternidade e da Esperança.No caso do primeiro laboratório,
norteado pelo objetivo de fomentar uma Igreja mais corresponsável e
participativa, onde o papel dos leigos seja tão digno como o do Clero,
foi decidido propor ao bispo o esquema de uma ‘sinodalidade circular’,
“isto é, as ideias e criatividade das ações partirem das bases -
paróquia, movimentos e povo de Deus em geral - e a coordenação ser
assegurada por uma estrutura designada para tal, tendo como eixo deste
movimento circular a ouvidoria e os seus conselhos pastorais”. O
Conselho propôs que os Conselhos Pastorais de Ouvidoria sejam liderados
por leigos e concordou por unanimidade estimular uma “Igreja em saída
missionária e hospital de campanha”, promovendo uma pastoral do convite
pessoal a leigos para projetos concretos da Igreja.“O Conselho
Pastoral reafirmou a necessidade de uma ‘Igreja Samaritana’ nos Açores,
onde a pobreza e a exclusão social são relevantes, que seja casa de
proximidade, hospitalidade e empenho na pastoral sócio-caritativa e na
pastoral do acolhimento de pessoas em situação de pobreza, de exclusão
social, de vulnerabilidade, com deficiência, em situação de migrantes e
na condição de sem-abrigo, entre outros”, pode ler-se no comunicado.Já
no âmbito do laboratório da Fraternidade, além do desenvolvimento das
tais estruturas de diálogo, foi sugerida a realização de um mapeamento
de todas as estruturas pastorais da diocese - serviços, comissões e
movimentos, etc. - “de forma a conhecer quem somos e o que fazemos”. “Na
sequência deste trabalho, será possível identificar a missão e as
necessidades de cada organismo, para potenciar o trabalho em rede que
facilite o planeamento da ação, evitando atropelos, sobreposição de
iniciativas e resistências que dificultam o trabalho conjunto. Assim,
sugere-se uma profunda intercomunicação entre os três pilares da
pastoral da Igreja: a pastoral da evangelização, a pastoral da
celebração e a pastoral social”, frisa.Ainda ao abrigo do
laboratório da Fraternidade foi salientada “a especial necessidade de
recuperar o dinamismo comunitário”, promovendo a realização de retiros,
espaços de aprofundamento espiritual, grupos de oração e reflexão, que
envolvam especialmente os jovens e as famílias, “de modo a promover a
paixão por Jesus Cristo, centro de toda a ação da Igreja”.Por fim, a
partir do laboratório da Esperança, o Conselho Pastoral Diocesano
sugere ao bispo que constitua um grupo de trabalho que coordene uma
série de ações pastorais a celebrar todos os meses e em todas as ilhas,
“que evoquem o sentido da esperança cristã”.De igual modo, propõe a
organização de uma “Aldeia da Esperança”, dirigida aos jovens, em
formato de acampamento, seguindo o modelo de Taizé, a decorrer no verão,
de preferência no Santuário do Senhor Santo Cristo da Caldeira, na ilha
de São Jorge, lugar de referência na diocese.“Para melhor celebrar o
Jubileu da Esperança, o Conselho Pastoral propõe a criação de
Itinerários Jubilares em todas as ilhas, com lugares definidos para
peregrinações e romarias, especialmente de jovens, que evoquem a
esperança e a paz, numa dinâmica de Ecologia Integral, conforme os
últimos documentos do Papa Francisco - as Encíclicas Laudato Si e
Fratelli Tutti- e do papa Bento XVI, a encíclica Spe Salvi, sobre a
Esperança”, refere o comunicado.O Conselho e o Bispo de Angra
congratularam-se com a forma como decorreram as eleições para o
Parlamento Europeu em Portugal, especialmente com o facto de terem sido
eleitos três açorianos para eurodeputados, manifestando a esperança que
estes “representem e defendam da melhor forma possível a nossa Região”.