IGAI garante que “não omitiu informação ou branqueou factos”
Sporting campeão
20 de out. de 2021, 17:47
— Lusa/AO Online
A pedido
do CDS-PP, Anabela Cabral Ferreira esteve na comissão parlamentar de
Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias para explicar
o inquérito da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) aos
festejos do Sporting em Lisboa como campeão nacional de futebol.O
deputado do CDS-PP Telmo Correia considerou o relatório “detalhado,
rigoroso e que dá muita informação sobre o que acontece” a 11 de maio,
mas lamentou que tenha existido “alguma omissão” relativamente à atuação
do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita. Em
resposta, a inspetora-geral da Administração Interna assegurou que “não
houve por parte da IGAI o intuito de omitir informação ou de branquear
factos”.“Não há omissão, tudo o que o foi
apurado consta do relatório”, disse, dando conta que a IGAI é uma
inspeção que goza de autonomia, o que significa que “não pode, nem deve e
nunca fará branquear condutas”. “O
branqueamento pode passar por diversos fatores, designadamente podia
passar pela omissão no relatório de factos que tivessem sido
investigados e apurados. O que eu posso garantir é que isso não
aconteceu. Todos os factos ocorridos e investigados estão no relatório,
não há factos que tenhamos apurado e que não constem no relatório”,
frisou.A juíza desembargadora recordou aos
deputados que não pode, nem deve fazer, uma análise política a esta
questão, sublinhando que o inquérito visava apurar a intervenção da PSP
no quadro das celebrações promovidas pelo Sporting. “Todas
as questões que se colocam relativamente à responsabilidade do ministro
da Administração Interna, do presidente da Câmara Municipal de Lisboa e
Sporting é algo que não é objeto do inquérito”, afirmou. A
inspetora-geral sublinhou que a Polícia de Segurança Pública atuou “num
contexto extraordinariamente difícil, em que havia milhares de pessoas
na rua durante muitas horas em locais distintos”, tendo existido “por
vezes” a necessidade do uso da força, mas “sempre de uma forma
necessária, proporcional e adequada”.Anabela
Cabral Ferreira frisou que a IGAI concluiu que “não havia censura
disciplinar a fazer à PSP” e sublinhou que a polícia teve de atuar e
desenvolveu sua atividade perante um quadro de manifestação.No
entanto, admitiu que “há um outro caso em que poderá eventualmente ter
havido excesso e uso da força”, sendo isto que está a ser apurado num
processo que está a decorrer na IGAI.“A
PSP usou da força e teve de a usar, designadamente na zona do Marquês do
Pombal, mas de uma forma absolutamente necessária e adequada e
genericamente sem excessos”, considerou.O
relatório sobre a atuação da PSP nos festejos do Sporting como campeão
nacional de futebol, a 11 de maio, foi apresentado a 16 de julho em
conferência de imprensa em que estiveram presentes o ministro Eduardo
Cabrita e a inspetora-geral Anabela Cabral Ferreira, tendo sido
posteriormente divulgado o documento na página da internet da IGAI.Questionada
pelo deputado do PSD Duarte Marques sobre a sua presença na conferência
de imprensa com o ministro, o que não é comum, a inspetora-geral
justificou com "impacto que o caso teve junto da população".O
relatório da IGAI refere que os festejos, nas imediações do estádio e o
cortejo até ao Marquês de Pombal, foram subordinados “a um modelo
acordado entre o Sporting Clube de Portugal e a Câmara Municipal de
Lisboa”, não tendo sido aceites as propostas da PSP sobre modelos
distintos, designadamente o de celebração inteiramente no interior do
estádio.Após a divulgação do relatório,
Eduardo Cabrita foi fortemente criticado por alguns partidos da
oposição, nomeadamente CDS-PP e PSD, por não ter assumido a
responsabilidade pela forma como decorreram os festejos.O
Sporting sagrou-se a 11 de maio campeão português de futebol, 19 anos após a última conquista, e durante os festejos ocorreram
confrontos entre os adeptos e a polícia.Milhares
de pessoas concentram-se junto ao estádio e em algumas ruas de Lisboa,
quebrando as regras da situação de calamidade devido à pandemia de Covid-19, em que não são permitidas mais de 10 pessoas na via pública,
nem o consumo de bebidas alcoólicas na rua.A
maioria dos adeptos não cumpriu também as regras de saúde pública ao
não respeitar o distanciamento social, nem o uso obrigatório de máscara.