IGAI abre inquérito a publicações de militares da GNR e agentes da PSP nas redes sociais
17 de nov. de 2022, 12:41
— Lusa/AO Online
Numa
nota do gabinete do ministro da Administração Interna é dito que José
Luís Carneiro determinou à Inspeção-Geral da Administração Interna
(IGAI) “a abertura de inquérito, imediato, para apuramento da veracidade
dos indícios contidos nas notícias de hoje (quarta-feira) sobre a alegada publicação,
por agentes das forças de segurança, de mensagens nas redes sociais com
conteúdo discriminatório, incitadoras de ódio e violência contra
determinadas pessoas”.Um consórcio de
jornalistas de investigação divulgou uma reportagem
de Pedro Coelho, Filipe Teles, Cláudia Marques Santos e Paulo Pena na
SIC, no Setenta e Quatro, no Expresso e no Público, que mostra que as
redes sociais são usadas para fazer o que a lei e os regulamentos
internos proíbem, com base em mais de três mil publicações de militares
da GNR e agentes da PSP, nos últimos anos.No
trabalho são apresentados diversos casos de publicações como:
“Procura-se 'sniper' com experiência em ministros e presidentes,
políticos corruptos e gestores danosos”, diz o texto sobre a imagem do
cano de uma espingarda que um militar da GNR de Vendas Novas publicado
no Facebook. “Enquanto não limparem um ou dois políticos, não fazem nada…”, sugere um militar da GNR de Setúbal no grupo fechado Colegas GNR.Segundo
a mesma investigação, todos os agentes e militares da PSP e da GNR que
escreveram estas frases nas redes sociais estão no ativo. “Muitos
deles usam o seu nome verdadeiro e os seus perfis pessoais para fazer
ameaças e praticar uma longa lista de crimes públicos, bem como dezenas
de infrações muito graves aos seus códigos de conduta e estatuto
profissional”, prossegue.O ministro da
Administração Interna afirma ainda que “estas alegadas mensagens, que
incluem juízos ofensivos da honra ou consideração de determinadas
pessoas, são de extrema gravidade e justificam o caráter prioritário do
inquérito agora determinado à IGAI”.