Idosos em Portugal mantêm-se economicamente mais ativos do que a média da UE
8 de jul. de 2024, 11:31
— Lusa/AO Online
O
relatório “Envelhecimento em Saúde: Caracterização da saúde da
população idosa em Portugal”, apresenta informação de
variadas fontes nacionais e europeias, de inquéritos de saúde e de
estudos nacionais até dezembro de 2021.Os
indicadores demográficos mostram que Portugal, tal como os restantes
países da União Europeia, tem vindo a apresentar um aumento da população
com 60 e mais anos, sendo dos países onde o crescimento da população
acima dos 80 anos é mais evidente.“Com
diferenças por indicadores, Portugal apresentava um melhor
posicionamento relativamente ao emprego, sugerindo que a população idosa
se mantinha economicamente ativa”, refere o relatório, citando dados do
Eurostat publicados em 2020, referentes a 2015, que mostram que cerca
de 16% dos idosos em Portugal se mantinham economicamente ativos (9,5%
UE-28).Por outro lado, a proporção de
pessoas idosas que viajavam e que utilizavam a internet era de 32% e 26%
respetivamente, ambos os valores inferiores aos observados na UE28
(48,8% e 45%, respetivamente). A
informação recolhida indica que a população idosa apresentava
“particular vulnerabilidade” face a alguns aspetos sociais e económicos,
como a situação de coabitação, escolaridade e nível económico, com uma
participação social inferior à média europeia.Em
2020, cerca de 23% da população entre os 65 e os 74 anos vivia sozinha,
e as mulheres idosas surgiram como um grupo particularmente vulnerável.
Vivem mais tempo, mas com pior saúde, e
estão em maior risco de pobreza e de exclusão social, indica o
relatório, referindo que em 2021 81,4% das pensões de sobrevivência e
70,3% do Complemento Solidário para Idosos foram pagos a mulheres.Considerando
o nível de escolaridade completo mais elevado, as estimativas em 2020
indicavam que a grande maioria da população idosa tinha até ao 1º ciclo
de escolaridade obrigatória (16,9% sem escolaridade e 51,6% com 1º
ciclo) e apenas 9,1% tinha o ensino superior.Menos
de metade desta população referia participar em atividades culturais ou
recreativas e a sua grande maioria apresentava níveis baixos de
atividade física. Apesar de a nível dos
consumos, a grande maioria não fumar ou nunca ter fumado (95,4%), esta
população apresentava consumos medianos elevados de álcool,
particularmente nos homens. De uma forma
geral, a autoapreciação do estado de saúde era positiva, com cerca de um
terço a referir ter uma saúde má ou muito má.Em
termos de nutrição, os dados indicam que apesar de em 2019 esta
população apresentar um consumo elevado de frutas e vegetais, uma
proporção significativa apresentava excesso de peso (64,9%), num valor
superior à média europeia (54,55%).O
documento também aponta que as doenças não transmissíveis são as que
mais contribuíram para a mortalidade na população com 65 e mais anos em
Portugal, ainda assim observando-se um decréscimo entre 2011 e 2016. Os
autores do trabalho defendem que "para a promoção de um envelhecimento
com melhor saúde, menos incapacidades e melhor qualidade de vida, há que
reconhecer os aspetos com maior fragilidade para a população idosa
portuguesa, nomeadamente os que envolvem estruturas socioculturais,
políticas, modos de organização social e económica e relações entre os
diversos intervenientes".