IAR teve menos de metade dos inspetores efetivamente ao trabalho em 2025
Hoje 09:54
— Nuno Martins Neves
Dos 17 inspetores que compõem o corpo de auditoria da Inspeção
Administrativa Regional (IAR), apenas oito estiveram efetivamente em
exercício no ano passado, de acordo com o relatório de atividade
consultado pelo Açoriano Oriental. Nomeações para outros cargos
reduziram capacidade fiscalizadora deste órgão.Segundo o documento, o
quadro de pessoal do IAR era composto por 17 inspetores e três
assistentes técnicos, mais o inspetor-chefe, Francisco Cota Lima. Só
que não foi com esse número de trabalhadores que a entidade responsável
pela fiscalização da máquina pública regional desenvolveu a sua
atividade: dos 17 inspetores, dois encontravam-se em exercício de alto
cargo público, três exerceram funções dirigentes na Administração
Pública Regional, em comissão de serviço, um outro inspetor encontra-se
em mobilidade e outro inspetor integra, em regime de exclusividade, o
MENAC (Mecanismo Nacional Anticorrupção). E no decorrer do ano, mais
dois inspetores foram nomeados para exercerem funções em organismos
pertencentes à administração pública regional, reduzindo, assim, o
número de trabalhadores efetivos para oito, “um número de inspetores
muito inferior ao constante no quadro de ilha”, lê-se no documento.Aliás,
este é o número de recursos efetivamente ao serviço mais reduzido da
última década, pois nunca o IAR(ou o seu antecessor, o IRAP) teve menos
de 10 inspetores a trabalhar.Além da reduzida força de trabalho,
2025 foi marcado por atestados de longa duração, que significaram 362
dias de falta por doença, o que, reconhece a IAR, “teve reflexo no
desenvolvimento dos trabalhos”.Considerando os recursos efetivamente
disponíveis, os trabalhos transitados do ano anterior e prevendo uma
eventual determinação de ações extraordinárias, foram inscritas quatro
ações no plano de atividades, sendo que a ação ordinária priorizou a
aplicação do PRR Açores. Quanto a ações extraordinárias, foram abertas
três.Quanto a queixas e/ou denúncias, a IAR recebeu 57, um número em
linha com o registado nos últimos dois anos (2023 e 2024) e que
representa mais 30% face a 2019 e mais 80% face a 2020.