Hungria reforça uso da vacina russa e vai usar chinesa sem autorização da UE
Covid-19
23 de fev. de 2021, 18:16
— Lusa/AO Online
A Hungria
administrou a 457.096 pessoas (4,7% do seus 9,7 milhões de habitantes)
pelo menos uma dose de vacina, provindas principalmente das
farmacêuticas Pfizer/BioNTech, AstraZeneca e Moderna, que têm
distribuição permitida por Bruxelas, mas também com a russa Sputnik V.Apelando
às pessoas para que confiem nas vacinas aprovadas pelo país, as
autoridades sanitárias informaram hoje que, a partir de quarta-feira,
vão começar a vacinar com o medicamento chinês Sinopharm, do qual a
Hungria encomendou cinco milhões de doses.Segundo
o Governo húngaro, serão vacinadas 368.000 pessoas nos próximos dias,
elevando o número total de cidadãos com pelo menos uma dose de vacina
administrada para mais de 800.000 até domingo.Cada
médico de clínica geral do país receberá 55 doses da vacina Sinopharm,
tendo sido instruídos a administrá-las aos seus pacientes mais velhos,
disse o secretário de Estado Istvan Gyorgy.“Todas
as vacinas disponíveis na Hungria são seguras e capazes de fornecer
proteção contra a infeção do coronavírus”, afirmou Gyorgy.De
acordo com os últimos dados oficiais, as vacinas da Pfizer/BioNTech já
imunizaram 387.000 pessoas na Hungria, as da AstraZeneca foram
administradas a 84.000 cidadãos e as Sputnik V a 73.000, enquanto a da
Moderna foi dada a 20.000 pessoas.A vacina Sinopharm vai ser dada, de acordo com os mesmos dados, a 275.000 húngaros.A
Hungria é o único membro da UE que adquiriu vacinas contra a covid-19
russa e chinesa, tendo justificado a sua decisão unilateral com os
atrasos na distribuição de vacinas por parte das autoridades da
Comunidade Europeia.No entanto, o
Presidente checo, Milos Zeman, também já defendeu o recurso à vacina
russa Sputnik V, e a Croácia está a negociar com a Rússia a compra desse
medicamento.Por seu lado, a Áustria
criticou, na semana passada, o que considera serem “hesitações” da
Agência Europeia de Medicamentos (EMA) na autorização de vacinas contra a
covid-19, lembrando que isso leva os Estados-membros a agir por conta
própria.“Não podemos perder terreno
internacionalmente. A União Europeia deve dar o exemplo rapidamente",
disse na sexta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros austríaco,
Alexander Schallenberg, insistindo que é “incompreensível” que a vacina
da Johnson & Johnson já esteja a ser usada no Reino Unido e não na
UE.A EMA recebeu no dia 17 um pedido
oficial daquela empresa farmacêutica para obter licença para o uso da
sua vacina contra a covid-19.No mesmo dia,
a presidente da Comissão Europeia disse que ainda não tinha dado
entrada na União Europeia qualquer pedido de autorização de
comercialização da vacina Sputnik V.A
presidente do executivo comunitário acrescentou que, “se o fizerem,
então terão de apresentar todo o conjunto de dados e sujeitar-se a todo o
processo de escrutínio, como qualquer vacina”, havendo ainda outra
questão a acutelar, a da verificação do processo de produção. “Uma
vez que não estão a produzir [esta vacina] na Europa, obviamente seria
necessário um processo de inspeções nos locais de produção. Porque, como
agora bem sabemos, uma questão crucial é ter um processo de produção
estável e de alta qualidade”, declarou.Na
semana anterior, a Agência Europeia de Medicamentos já indicara não ter
recebido qualquer pedido para monitorização ou autorização da vacina
russa contra a covid-19, tendo apenas dado “aconselhamento científico”
ao fármaco.A Hungria entrou na terceira
vaga da pandemia e, apesar de os números absolutos não serem muito
elevados, o crescimento de novos casos, internamentos e mortes indicam
que o coronavírus está novamente em fase de expansão.