Hungria e Polónia confirmam veto aos orçamentos europeus
26 de nov. de 2020, 18:51
— Lusa/AO Online
“A
proposta atual não é aceitável para a Hungria”, disse Orbán, após uma
reunião em Budapeste com o seu homólogo polaco, acrescentando que
“serviria para criar a primazia da maioria e não do direito”.Morawiecki,
por sua vez, acrescentou que o veto se deve ao facto de a proposta de
condicionamento ter “motivação política” e pode “levar à desintegração
da União Europeia (UE)”.“É uma solução perigosa e danosa”, alertou o primeiro-ministro polaco, líder do partido ultraconservador Lei e Justiça.Os
dois chefes de governo consideram que o condicionamento dos fundos
servirá no futuro como arma política para a maioria dos países da UE e
por isso decidiram bloquear o orçamento plurianual (2021-2027) da União,
bem como o pacote do fundo de recuperação e resiliência, desenhado para
o combate à crise económica desencadeada pela pandemia de covid-19.Numa
declaração conjunta, Orbán e Morawiecki fortaleceram a sua aliança e
afirmaram que nenhum deles dará a aprovação a “qualquer proposta que a
outra parte considere inaceitável”.No
comunicado, os dois líderes de Governo asseguram que têm interesse em
encontrar uma solução “para que os recursos financeiros estejam
disponíveis a todos os Estados membros, o mais rápido possível”.“A
situação atual que impede a rápida conclusão do processo legislativo
foi criada por aqueles que estabeleceram um vínculo entre o Estado de
Direito e o orçamento da EU”, concluem os líderes dos governos húngaro e
polaco.Em declarações aos jornalistas,
Morawiecki disse que não é aceitável que “na União Europeia um texto
jurídico seja colocado acima dos tratados”."Não
queremos que a União se desvie do seu caminho", disse o
primeiro-ministro polaco, salientando que “a unidade da União Europeia
deve ficar assegurada”.Orbán, por sua vez,
disse que não pode aceitar uma proposta que “não atenda aos interesses
dos húngaros” e lembrou que o veto aos orçamentos “é um direito
garantido nos tratados comunitários”.“Não
podemos relacionar as duas coisas. Isso seria irresponsável”, explicou
Orbán, referindo-se aos orçamentos e à condição de respeito pelo Estado
de Direito.