Hungria aprova primeiras medidas anticorrupção para desbloquear fundos da UE
3 de out. de 2022, 16:38
— Lusa/AO Online
Duas
alterações foram aprovadas por larga maioria, de acordo com os
resultados da votação comunicados na página oficial na Internet do
parlamento da Hungria.Uma delas vai
permitir que os cidadãos apresentem uma queixa nos tribunais se
acreditarem que o Ministério Público pôs termo arbitrariamente a uma
investigação por corrupção.O segundo texto
visa aumentar a transparência do processo legislativo: apela a um
melhor debate público, enquanto a maioria das leis são agora ratificadas
sem consulta prévia.Uma "autoridade
independente" será criada para controlar melhor a utilização dos fundos
da União Europeia (UE), uma medida que será adotada até terça-feira.Em
setembro, a Comissão Europeia propôs privar a Hungria de 7,5 mil
milhões de euros, e remeteu a questão para o nível superior, o do
Conselho Europeu, instituição que representa os 27 Estados-membros do
bloco. O Governo do ultraconservador
Viktor Orbán é apontado por Bruxelas por tomar medidas que enfraquecem o
Estado de direito e acusado de usar dinheiro europeu para enriquecer os
que lhe são próximos.Budapeste prometeu
um total de 17 medidas-chave, algumas adotadas por decreto simples, para
corrigir as "irregularidades" e "deficiências" denunciadas por Bruxelas
nos processos de contratação pública e para prevenir conflitos de
interesses.O Governo húngaro espera
escapar a uma decisão do Conselho Europeu e convencer Bruxelas a aprovar
o seu plano de recuperação pós-pandemia covid-19 (5,8 mil milhões de
euros em subsídios), fundos que o país, atormentado pela subida da
inflação, precisa mais do que nunca.A
Hungria é o único país da UE cujo plano de recuperação ainda não recebeu
luz verde da Comissão Europeia, pelas mesmas razões relacionadas com o
respeito pelo Estado de direito.A
organização não-governamental (ONG) Transparência Internacional, que
coloca a Hungria em penúltimo lugar na UE em termos de corrupção, disse
estar "cética" quanto à eficácia das medidas, de tal maneira "o sistema
tem sido pervertido" desde que Viktor Orbán regressou ao poder em 2010.