Humidade elevada do ar aumenta propagação do novo coronavírus
18 de ago. de 2020, 17:30
— Lusa/AO online
A investigação, publicada
na revista científica “Phisics of Fluids” (Física de Fluidos),
centrou-se sobre a forma como o vírus é transportado pelo ar através de
situações normais como respirar, falar e tossir e os cientistas
descobriram um importante e surpreendente efeito do ar húmido na
possível propagação da covid-19. As
gotículas exaladas numa expiração normal de um ser humano têm uma gama
de tamanhos que vão de um décimo de mícron a 1.000 mícron (1 micron é
equivalente a 0,001 milímetro). Em termos de comparação um cabelo tem um
diâmetro aproximado de cerca de 70 mícron, enquanto uma partícula
típica de coronavírus é menor do que um décimo de mícron. As
gotículas exaladas mais comuns têm entre 50 e 100 mícron de diâmetro e
contêm substâncias como água, lípidos, proteínas e sal. E contêm também
vírus caso a pessoa esteja infetada.Os
investigadores consideraram não apenas o transporte de gotículas pelo
ar, mas também a sua interação com o ambiente envolvente, nomeadamente
tendo em conta a evaporação, e tiveram em conta a turbulência mas também
dados de outros estudos e dados sobre outras partículas semelhantes em
tamanho às expiradas pelo ser humano, nomeadamente o pólen do milho,
cujas partículas têm um diâmetro de 87 mícron.Das
conclusões da investigação sobressai o facto de a humidade afetar o
destino das partículas exaladas, já que o ar seco pode acelerar a
evaporação natural.Em ar com 100% de
humidade relativa, simulações mostraram que as gotículas maiores, com
100 mícron, podem cair no chão a até a quase dois metros (1,82 metros)
da fonte de exalação. As gotas mais pequenas, de 50 mícron, podem viajar
mais longe, até a cinco metros.Um ar
menos húmido retarda a propagação. Com uma humidade relativa de 50%
nenhuma das gotículas de 50 mícron foi além dos 3,5 metros.Num
modelo para imitar a tosse os investigadores concluíram que num caso de
infeção quase 70% do vírus seria depositado no solo durante uma tosse.A
pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 770.429 mortos e
infetou mais de 21,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios,
segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.Em
Portugal, morreram 1.779 pessoas das 54.234 confirmadas como infetadas,
de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.