Hoteleiros exigem transparência na aplicação da taxa turística na ilha de São Miguel
30 de mai. de 2025, 17:32
— Lusa/AO Online
“A
nossa preocupação tem sido, junto dos municípios, exigir que haja
transparência naquela que é a recolha dos valores que estão a ser
arrecadados e dos fins em que vão ver aplicadas estas verbas”, afirmou
Andreia Pavão à agência Lusa.Atualmente
está em vigor uma taxa turística de dois euros por noite em todos os
concelhos da ilha de São Miguel, uma tarifa que foi implementada em
janeiro em cinco dos seis municípios (Lagoa, Ponta Delgada, Ribeira
Grande, Vila Franca do Campo e Povoação) e que este mês passou a ser
cobrada, também, no Nordeste.Andreia Pavão
lembrou que a AHP é “por princípio contra” a taxa turística e apelou
para que o investimento da verba “seja claro e transparente”.A
também vice-presidente da AHP destacou a abertura demonstrada pela
Câmara de Ponta Delgada com a criação de um conselho municipal do
turismo, lembrando que a taxa turística deve “servir para melhorar o
produto” turístico e não para “despesas correntes”.A
empresária alertou ainda para a importância de aumentar a estada média
no arquipélago como forma de reduzir o impacto no território.“Se
conseguirmos aumentar a estada média, conseguimos reduzir a carga.
Historicamente temos uma estada média à volta de três noites. Tem estado
assim antes e pós-pandemia”, reforçou.Andreia
Pavão defendeu a criação de “campanhas de promoção à séria” para
aumentar o tempo que os turistas ficam nos Açores, considerando esse o
“passo seguinte” para o setor na região.“O
passo seguinte será aumentar a estada média. Se conseguirmos fazer
isso, reduzimos o número de pessoas para o mesmo número de dormidas e
temos menos carga sobre o território”, sublinhou.A
representante regional da AHP afirmou que a taxa turística tem sido
cobrada normalmente depois de alguns “ajustes ao modelo” realizados nos
últimos meses, como a alteração da obrigação da fatura ser emitida com o
número de contribuinte do hóspede.Ainda assim, continua a existir “alguma surpresa” por parte dos visitantes.“Por
parte dos hóspedes, às vezes, há alguma surpresa. Às vezes há pessoas
que se recusam pagar. Há pessoas que não têm como fazer prova da
residência no caso das isenções e isso cria alguma questão [menos
positiva], mas, de uma maneira ou outra, os alojamentos têm tentado
simplificar”, explicou.A Associação do Alojamento Local dos Açores também reivindicou um “papel
ativo” na aplicação do valor gerado pela taxa turística.O
presidente da Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores,
Alexandre Gaudêncio (PSD), justificou em dezembro de 2024 a medida com a
pressão que o setor turístico tem registado no arquipélago e com os
encargos que isso representa para as autarquias.A decisão municipal mereceu a discordância do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) e das associações empresariais.Os
Açores registaram mais de 383 mil dormidas em alojamentos turísticos no
mês de abril, uma subida de 15,1% face ao período homólogo, segundo
dados revelados hoje pelo Serviço Regional de Estatística.