Hoteleiros algarvios "desiludidos" por Reino Unido manter quarentena
Covid-19
24 de jul. de 2020, 16:59
— Lusa/AO Online
“É uma
enorme desilusão. Estávamos à espera - pelas notícias que vinham sendo
divulgadas ultimamente - que o Reino Unido pudesse reverter a situação”,
afirmou o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos
Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, à agência Lusa.O
presidente da AHETA frisou que uma mudança de parecer do Reino Unido, a
ter acontecido, não iria permitir já uma recuperação dos “prejuízos
maiores causados pela primeira decisão”, no início de julho, mas
produziria efeitos na procura a partir de setembro, quando o golfe entra
na época alta no Algarve.“Esperávamos
que, com a reversão dessa situação, a partir de setembro, pudéssemos ter
já aqui uma operação normal quando começasse a época turística alta do
golfe, mas esta decisão veio comprometer tudo isto”, lamentou.O
dirigente da associação empresarial algarvia criticou o Reino Unido por
ter “dois pesos e duas medidas” e disse “não compreender” por que razão
Portugal fica fora do corredor aéreo, enquanto “destinos concorrentes
apresentam contágios e óbitos em número bastante superior, não apenas a
Portugal, mas sobretudo ao Algarve”.“Podemos
indagar se os critérios utilizados são sérios e responsáveis”,
questionou Elidérico Viegas, dando os exemplos de “Espanha, Itália e
outros destinos que não fazem testes e aparecem na estatística como bons
da fita”, enquanto Portugal continua obrigado a quarentena com uma
situação epidemiológica menos gravosa.Elidérico
Viegas voltou a pedir ao Governo e à diplomacia portuguesa para
“desenvolverem os esforços que lhes compete no sentido de reverter uma
situação”, que qualificou como “injusta e penalizadora, não apenas para o
Algarve e as empresas algarvias, mas também para o país”.“Esperava
que o Reino Unido fosse sensível e mostrasse sensibilidade às opiniões
que têm sido publicamente manifestadas, quer aqui, quer na imprensa
britânica, porque esta decisão não é só lesiva dos nossos interesses,
mas também dos interesses dos britânicos que querem vir ao Algarve e a
Portugal”, acrescentou.Portugal continua
de fora dos corredores de viagens que isentam os passageiros de
quarentena na chegada ao Reino Unido, apesar de o Governo britânico ter
adicionado hoje cinco países. Estónia,
Letónia, Eslováquia, Eslovénia e as ilhas de St. Vincent, nas Caraíbas,
foram hoje acrescentadas à lista pelo ministério dos Transportes
britânico, na sequência de uma avaliação dos riscos de infeção com
covid-19.
A partir de dia 28 de julho, as pessoas que
viagem destes países para Inglaterra não precisam de cumprir a
quarentena de 14 dias exigida, cabendo depois às restantes nações
(Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) aplicar a decisão do governo
britânico. O ministério dos Transportes
acrescenta que poderá introduzir "alterações semanalmente (se
necessário), para refletir a mudança do panorama da saúde a nível
internacional”, adicionando países à lista ou impondo restrições se a
situação de saúde de um país se deteriorar.