Hotelaria quer companhia à escala do turismo nacional e “que sirva o país”
21 de out. de 2020, 10:47
— Lusa/AO Online
Em entrevista à agência Lusa, Raul Martins
afirmou que o que a AHP quer para a TAP “é que seja rentável e que sirva
o país”, sublinhando, porém, não querer uma TAP “pequenina”, mas sim
“dimensionada à escala daquele que seja o turismo nacional”.O
presidente da AHP defendeu que o desenvolvimento da transportadora
aérea nos últimos anos, com a gestão privada, “não era tanto servir o
país turístico”, mas mais atingir objetivos de resultados, “que, afinal,
foram negativos”.No entanto, o
responsável apontou que, dentro das opções da gestão anterior da TAP, a
aposta no mercado dos Estados Unidos da América “foi um aspeto muito
positivo”.“É certo que esta nova
administração da TAP que vier a ser concretizada o fará [a aposta no
mercado americano], porque ela é, em termos financeiros, benéfica para a
TAP, mas também é benéfica para o país, sendo certo que as rotas da
América e do Brasil, em especial, não têm muita concorrência das ‘low
cost’ [companhias de baixo custo]”, acrescentou.Em
relação à operação da companhia aérea no Porto, Raul Martins disse não
compreender como é que aquela cidade foi colocada numa “situação de
segunda opção” e entende que reduzir as ligações com o Porto foi uma
decisão “pouco curial”.“O Porto cresceu imenso em termos turísticos nos últimos anos, cresceu mais do que Lisboa, em percentagem”, sublinhou.Porém,
o presidente da AHP disse ter informação de que está a ser feito um
levantamento pela TAP das necessidades do Porto em termos de operação –
bem como da Madeira e dos Açores -, no âmbito do plano de reestruturação
a apresentar à Comissão Europeia, que “vai fazer com que o Porto volte a
ter a importância que deve em termos turísticos”.“O
facto de haver muitas ‘low cost’ a operar com muita intensidade para o
Porto, ou para o Algarve, não quer dizer que a TAP não tenha a sua quota
e o seu mercado, não só dos portugueses que se querem deslocar, mas
também dos turistas que vêm para o norte”, acrescentou.Numa
audição na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação,
em 15 de outubro, no parlamento, o ministro das Infraestruturas e da
Habitação, Pedro Nuno Santos, disse que as quatro rotas criadas no
aeroporto do Porto, para Amesterdão, Milão, Zurique e Ponta Delgada
estão com "46% da lotação em média" e são "neste momento um prejuízo
para a TAP".O ministro revelou ainda que
está a ser estudado o reforço da frota da TAP Express/Portugalia, para
operar, a partir de Porto e Faro, para outros aeroportos da Europa, em
"ligações ponto a ponto", para tentar que a TAP seja "mais competitiva",
nomeadamente face às companhias aéreas 'low-cost'.Em
02 de julho, o Governo anunciou que tinha chegado a acordo com os
acionistas privados da TAP, passando a deter 72,5% do capital da
companhia aérea, por 55 milhões de euros.A
Comissão Europeia aprovou em 10 de junho um "auxílio de emergência
português" à companhia aérea TAP, um apoio estatal de até 1.200 milhões
de euros para responder às "necessidades imediatas de liquidez" com
condições predeterminadas para o seu reembolso, entre os quais a
apresentação de um plano de reestruturação até meio de dezembro.