Hotelaria nos Açores alerta para agravamento da sazonalidade com saída da Ryanair

Hoje 17:01 — Lusa/AO Online

A companhia aérea de baixo custo Ryanair reafirmou que vai abandonar a operação nos Açores a partir de 29 de março.Em resposta à agência Lusa, a transportadora irlandesa reiterou que vai cancelar as seis rotas que atualmente realiza no arquipélago açoriano, justificando com as “elevadas taxas aeroportuárias” da ANA Aeroportos e a “inação” do Governo, que “aumentou as taxas de navegação aérea em 120%” após a pandemia de covid-19 e “introduziu uma taxa de viagem de dois euros, numa altura em que outros estados da União Europeia estão a abolir taxas de viagem”.Questionada pela Lusa, a representante nos Açores da AHP, Andreia Pavão, disse que a saída da Ryanair significará “uma perda de lugares oferecidos bastante substancial”.Segundo Andreia Pavão, a Ryanair representa um segmento específico de mercado, o que poderá levar a “algum reajustamento dinâmico no preço do transporte aéreo”, num mercado considerado “muito relevante” para a região, nomeadamente o mercado doméstico, que detém “uma quota substancial da procura”.“Não sabemos se esta perda de lugares oferecidos por esta companhia poderá eventualmente vir a ser compensada com o reforço quer pela TAP ou pela SATA. Portanto, não sabemos se isto vai acontecer para o verão. Há aqui muita incerteza”, sustentou Andreia Pavão.A empresária lembrou que existem outras companhias aéreas que anunciaram novas rotas para este verão, mas que "podem ou não eventualmente compensar esta perda de lugares oferecidos" pela transportadora irlandesa.Contudo, apontou, "não será no mesmo mercado" e os empresários estão apreensivos.“Vamos ter um ajustamento de dormidas por mercados diferentes”, salientou a responsável da AHP, admitindo que o impacto da saída da Ryanair deverá ser mais sentido no inverno do que no verão, uma vez que nessa altura os Açores dependem fortemente do mercado nacional.Ou seja, no próximo inverno haverá “um acentuar da sazonalidade” mais pronunciado do que “o já verificado com a redução gradual” da oferta aérea, disse.“A Ryanair está a cumprir com aquilo que tem ameaçado fazer, que é afastar-se. Retirou primeiro a base e agora sai”, disse a responsável, acrescentando que, nesta fase, “ninguém está surpreendido”.A representante nos Açores da Associação da Hotelaria de Portugal defendeu ainda a necessidade de “um reajustamento” da estratégia aérea para a região, apelando a uma reflexão sobre a possibilidade de reforço das ligações diárias.“É preciso tentar perceber até que ponto poderá haver um reforço de ligações diárias pela TAP ou pela Azores Airlines”, defendeu.