Hotéis e alojamento local nos Açores "com abrandamento na procura"
Covid-19
10 de dez. de 2021, 10:46
— Lusa/AO Online
"Existiam boas perspetivas. O fim de ano
estava com bastante procura. Mesmo o Natal, uma época na hotelaria em
São Miguel que não é muito procurada, também já notava alguma procura.
Mas, com as novas restrições devido à situação pandémica, já há alguns
cancelamentos e abrandou a procura", afirmou à agência Lusa o delegado
nos Açores da Associação da Hotelaria de Portugal, Fernando Neves.Fernando
Neves assinalou que, neste momento, a situação é "indefinida" por causa
do aumento de número de casos de covid-19 que voltou a implicar
"algumas restrições nas viagens" para os turistas."Neste
momento há uma indefinição, alguns cancelamentos e a procura abrandou.
Vamos ver qual é a evolução, embora as perspetivas não sejam as melhores
ao nível da situação dos mercados emissores", explicou.
O delegado nos Açores da Associação da Hotelaria de Portugal admitiu
que, se a situação pandémica não tivesse piorado, a taxa de ocupação na
hotelaria nos Açores poderia "estar acima dos 80%, sobretudo ao nível da
passagem de ano, nomeadamente em Ponta Delgada", na ilha de São Miguel."Depois de um certo otimismo no verão, com as novas restrições volta a preocupação", sustentou Fernando Neves.
À Lusa, o delegado nos Açores da Associação da Hotelaria de Portugal
assinalou que "outubro e novembro até correram bem, assim como os meses
de verão".Embora não tivessem sido atingidos valores de 2019, estavam com “taxas de ocupação muito interessantes", indicou. "Notava-se
alguma dinâmica na procura pelo destino Açores. Agora esperemos que
seja um interregno rápido para que, a partir do segundo trimestre, as
coisas estejam normalizadas", sustentou.O
presidente da Associação do Alojamento Local dos Açores, Rui Correia,
apontou também para a existência de "alguns cancelamentos essencialmente
para a passagem de ano" de turistas provenientes do exterior da Região,
sublinhando que, para já, a situação da pandemia de covid-19 no
arquipélago "parece estar minimamente controlada", sem cancelamento das
festividades e com "uma aposta clara de todas as câmaras municipais em
manterem os seus programas" para esta altura do ano."Mas,
temos que ter consciência que a pandemia deixou as suas marcas em
termos psicológicos. As pessoas têm receio e o reforço da vacinação está
aí, mas poderá não ser suficiente para que as pessoas continuem a
viajar", lembrou.O presidente da
Associação do Alojamento Local dos Açores referiu que "há que ter em
linha de conta que o mercado que ajudou numa certa recuperação durante o
verão foi o nacional", mas "o país não está a dar sinais de que a
pandemia estabilize, com os casos a subirem constantemente"."Isso poderá levar a algumas restrições com consequências nas reservas", acrescentou.Segundo
Rui Correia, os cancelamentos "afetam essencialmente reservas dos
alojamentos que estão inseridos numa malha mais urbana, porque os
alojamentos que estão situados "em ilhas com cariz mais rural", estão
"em plena época baixa e estão a tentar apostar no mercado de alojamento
de médio e de longo prazo".Nestes
alojamentos situados em zonas mais rurais "esperemos que não sejam
afetados" por estas novas restrições nos mercados emissores de turistas,
sublinhou."Estamos a encarar tudo o que se está a passar neste momento a nível europeu essencialmente com alguma apreensão", disse ainda.De acordo com Rui Correia, "já se sente alguns cancelamentos" e outros turistas perguntam sobre "as condições de cancelamento".