Hospital modular de Ponta Delgada funciona sem vistoria da Proteção Civil
30 de abr. de 2025, 17:36
— Lusa/AO Online
O
hospital modular foi construído pelo Governo dos Açores junto ao
Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, após o
incêndio nesta unidade ocorrido a 4 de maio do ano passado.“Não
lhe sei dizer se tem plano de segurança contra incêndios. Aquilo que
conheço do hospital modular foi aquilo que me foi apresentado em sede de
projeto”, disse hoje Rui Andrade, na comissão de inquérito ao incêndio
no HDES, reunida em São Miguel.Rui
Andrade, que tutela a Proteção Civil açoriana desde dezembro de 2022,
respondia a questões levantadas pelos deputados, que pretendiam saber se
estrutura provisória do hospital modular, que terá custado à região
mais de 30 milhões de euros, cumpre ou não com a legislação em vigor, em
matéria de prevenção contra incêndios.“Eu,
para saber se, efetivamente, aquilo que foi feito, em construção,
corresponde àquilo que foi apresentado em sede de projeto, tenho de
visitar a infraestrutura”, disse Rui Andrade, acrescentando que o SRPCBA
ainda não vistoriou o edifício do hospital modular, apesar do espaço
estar aberto ao público desde setembro de 2024.O
presidente da Proteção Civil lembrou, no entanto, que a legislação em
vigor prevê que a vistoria ao hospital modular seja feita “até um ano
após a sua entrada em funcionamento”, o que significa que, na prática, a
estrutura em causa estará ainda a cumprir a lei em relação a esta
matéria.A audição de Rui Andrade na
comissão parlamentar de inquérito ao incêndio no HDES, criada por
proposta potestativa da bancada do PSD no parlamento açoriano, esteve
muito centrada nas questões de vistoria e inspeção, não apenas ao
hospital modular, mas também ao edifício principal, que não era
vistoriado desde 2013.“Se houve
negligência ou incumprimento, não me compete a mim dizê-lo. O que me
compete a mim fazer é dizer, claramente, aquilo que foi a consulta aos
técnicos e aos registos do serviço, que indicam que de 2013 por diante, o
Serviço Regional de Proteção Civil não foi confrontado com nenhuma
solicitação de inspeção ao HDES”, insistiu o presidente do SRPCBA.O
presidente da Proteção Civil açoriana lembrou que compete ao Conselho
de Administração do Hospital, que gere a estrutura, solicitar a vistoria
do edifício, mas recusou a ideia de que o HDES constitua “um risco”
para quem lá trabalha ou para os seus utentes, como chegou a ser
denunciado pelos engenheiros que elaboraram o relatório interno após o
incêndio, e que foram ouvidos também pelos deputados.“Temos
de combater estas mensagens alarmistas, que não corroboro, por várias
razões, desde logo, e aquela que interessa fundamentalmente, porque as
pessoas não podem pensar que vão ao HDES para morrer, ou que correm
perigo de vida”, disse Rui Andrade, referindo-se a uma expressão
utilizada por João Mota Vieira, técnico indicado pela Ordem dos
Engenheiros, que considerou que o HDES apresentava ainda riscos de
incêndio: “as pessoas estão sentadas em cima de um barril de pólvora”.Rui
Andrade elogiou também os Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, pelo
seu trabalho no combate às chamas no incêndio de 04 de maio, e
considerou que cumpriram, com rigor, o seu trabalho em situações muito
difíceis.Os deputados ao parlamento
açoriano ouviram também o coordenador da Polícia Judiciária (PJ) nos
Açores, Renato Furtado, que lembrou que o incêndio no HDES resultou de
situações acidentais e que “nada indicia a existência de crime” neste
processo.“Verificou-se, com todo o acervo
subsequente, que as circunstâncias [do acidente] seriam de etiologia
acidental. Ou seja, não foram recolhidos indícios de que o incêndio
tenha tido origem numa conduta humana, de natureza dolosa ou
negligente", frisou o coordenador da PJ, lembrando que o caso foi
encaminhado para o Ministério Público, que decidiu pelo arquivamento do
processo.