Hospital de Ponta Delgada trata AVC com tecnologia de inteligência artificial
Hoje 16:43
— Lusa/AO Online
Segundo
uma nota de imprensa da instituição, o HDES, deu
um “passo decisivo” na modernização dos cuidados de saúde na região,
com a introdução da plataforma Brainomix 360. “Esta
tecnologia de IA de última geração foi especificamente concebida para
revolucionar o tratamento do AVC, otimizando o diagnóstico e a rapidez
de intervenção, fatores críticos num cenário onde ‘tempo é cérebro’",
indicou.A introdução deste sistema ao
serviço da Unidade de AVC e do Serviço de Imagiologia permite que os
exames de tomografia computadorizada (TC) sejam processados de forma
automatizada.“Em poucos segundos, a IA
identifica sinais precoces de isquemia e grandes oclusões vasculares que
poderiam ser de difícil deteção inicial, garantindo uma precisão
diagnóstica ao nível dos melhores centros neurovasculares do mundo”,
explicou o HDES.Para Raquel Senra,
responsável pela Unidade Cérebro Vascular do hospital, esta inovação é
“vital, uma vez que o AVC é uma emergência médica que poderá levar a um
elevado grau de incapacidade e mesmo ao óbito”.“Como
'tempo é cérebro', é fundamental que façamos o diagnóstico o mais
precocemente possível e, desta forma, administrar o melhor tratamento o
mais rapidamente. A inteligência artificial irá possibilitar que, de
forma quase imediata, possamos identificar sinais precoces de isquemia
cerebral e de oclusão de vaso intracraniano e desta forma possibilitar a
sua rápida abordagem", relatou, citada na nota.Como
atualmente a Região Autónoma dos Açores não realiza trombectomia
mecânica, sendo os doentes enviados maioritariamente para a ilha da
Madeira, Raquel Senra sublinhou que, com utilização da IA, a partilha
das imagens “acontecerá praticamente em tempo real, o que vem agilizar o
processo” da denominada evacuação médica”. “A
grande inovação reside também na mobilidade e na partilha de informação
em tempo real, uma vez que, através de uma aplicação móvel segura, os
médicos especialistas podem visualizar as imagens processadas e
comunicar instantaneamente, independentemente da sua localização”,
indicou. Desta forma, ficam facilitadas
as “decisões imediatas sobre tratamentos cruciais como a trombólise ou a
transferência para trombectomia”.O HDES
já possui, desde julho de 2025, o sistema Gleamer Copilot, para
radiografias de urgência, através dos módulos BoneView (especializado na
deteção de fraturas, efusões articulares e luxações) e ChestView
(focado na deteção de patologias críticas como pneumotórax, nódulos
pulmonares, derrames pleurais e opacidades alveolares).Ao
automatizar a análise de TC e permitir a partilha de dados em tempo
real, o estabelecimento garante uma cobertura tecnológica abrangente,
“assegurando aos açorianos cuidados de vanguarda no combate a uma das
principais causas de mortalidade e incapacidade em Portugal”.