Hospital de Ponta Delgada podia ter reaberto em agosto de 2024
29 de abr. de 2025, 17:26
— Lusa/AO Online
“Era
possível criar condições para abrir o edifício no final de agosto, com
as condições existente a 03 de maio, com utilização dos recursos que
tínhamos à disposição”, explicou José Ponte na Comissão de Inquérito ao
Incêndio no HDES, criada pelo parlamento açoriano, que está reunida em
audições em Ponta Delgada.O técnico, que é
responsável pelo Serviço de Instalações e Equipamentos da maior unidade
de saúde dos Açores desde março de 1992, garantiu que as intervenções
técnicas realizadas após o incêndio no HDES permitiam que a atividade
assistencial pudesse ser retomada, “com alguma normalidade”, na maior
parte do edifício.Segundo explicou, foram
efetuadas intervenções nas unidades de tratamento do ar do bloco
operatório do hospital, que criaram garantias de um “melhor desempenho”,
em comparação com as condições técnicas que existiam antes da
catástrofe, que, recorde-se, levou à transferência dos doentes para
outras unidades de saúde dos Açores e da Madeira.José
Ponte disse também que reportou ao Conselho de Administração do HDES,
por diversas vezes, desde 2013, a necessidade de se investir num novo
sistema de deteção de incêndios, mas admitiu que o investimento nunca
chegou a avançar, por que custaria cerca de meio milhão de euros.“Sempre
o fizemos junto do Conselho de Administração, a quem competia tomar a
decisão, mas dado o montante elevado que estava em causa, isso
ultrapassava a capacidade do Conselho de Administração, por isso é que o
caso foi levado à tutela”, acrescentou aquele responsável técnico.Confrontado
pelos deputados sobre quem teria responsabilidades políticas pelo
desinvestimento na manutenção do Hospital de Ponta Delgada, José Ponte
deixou um desabafo: “a responsabilidade é das duas partes. O PSD já está
a tempo suficiente no governo [4 anos] para fazer alguma coisa e o PS
também esteve muito tempo no governo [24 anos] para fazer alguma coisa”.José
Ponte admitiu também “dormir mal”, perante investimentos, em matéria de
segurança que eram necessários realizar no HDES, ainda antes do
incêndio de 04 de maio, o qual terá tido origem numa bateria de
condensadores de fator de potência, que foi detetada já tardiamente
pelos funcionários do hospital.O Governo
dos Açores decidiu investir, entretanto, na instalação de um hospital
modular, junto ao HDES, que terá custado cerca de 30 milhões de euros,
para garantir a recuperação da atividade assistencial na maior ilha dos
Açores, mesmo contra a vontade dos técnicos e engenheiros, que entendem
que o edifício principal estaria em condições de reabrir, sem ser
necessário realizar grandes intervenções.Uma
opinião que é partilhada também por Ricardo Duarte, administrador da
empresa StechComply, responsável pela qualidade do ar nos equipamentos
instalados no HDES, que assegurou, numa audição realizada esta
terça-feira, que as intervenções técnicas efetuadas pela manutenção
daquela unidade de saúde, permitiriam a reabertura “segura” do hospital
no final de agosto do ano passado.“Quando
nós chegámos, verificámos que a parte de manutenção do hospital já tinha
feito a troca dos pré-filtros primários e dos filtros secundários.
Verificámos também que, ao nível das unidades de tratamento de ar,
apresentavam já alguns problemas, que tentaram ser minimizados por parte
da manutenção”, adiantou Ricardo Duarte, acrescentando que, no final de
agosto, já tinham sido concluídos os ensaios daqueles equipamentos, e
que era “segura” a sua utilização.A
comissão parlamentar de inquérito ao incêndio no HDES, criada por
proposta do PSD, pretende apurar as causas e as consequências da
catástrofe e determinar se o desempenho da tutela foi o adequado, antes e
após a catástrofe.