Hospital de Ponta Delgada faz “apuramento” de médicos indisponíveis para horas extra
16 de nov. de 2022, 18:41
— Lusa/AO Online
“Neste
momento, estamos a fazer o apuramento da situação global. Ainda não
temos uma ideia total e concreta de todas as especialidades. Estamos a
fazer um levantamento para ter um mapa mais bem definido. Não podemos
estar a comentar concretamente as necessidades e dificuldades do serviço
de urgência. Ainda é precoce”, declarou à Lusa João Pedro Cardoso.Médicos,
do HDES e dos hospitais da ilha Terceira e do Faial, manifestaram, em
abaixo-assinado enviado ao presidente do Governo dos Açores, José Manuel
Bolieiro, ao seu vice-presidente, Artur Lima, e ao secretário regional
da Saúde e Desporto, Clélio Meneses, a sua indisponibilidade para
realizar horas extraordinárias para além do limite legal das 150 horas, o
que poderá colocar em causa o serviço de urgência já em dezembro.Segundo o diário Açoriano Oriental, são 426 os médicos que assinaram o documento, sendo 191 do HDES.Em
causa estão declarações do vice-presidente do Governo dos Açores, de
coligação PSD/CDS-PP/PPM, proferidas sexta-feira, e que o Sindicato
Independente dos Médicos (SIM) dos Açores repudiou “de forma veemente”.De
acordo com o sindicato, após as declarações do vice-presidente, vários
médicos terão manifestado a indisponibilidade para prestar mais do que
as 150 horas de trabalho suplementar obrigatório e, “percebendo a
gravidade do que foi dito, muitos mais […] estarão a ponderar fazer o
mesmo”.O vice-presidente do Governo dos
Açores, Artur Lima (CDS-PP), afirmou na sexta-feira que os médicos “não
podem usar o dinheiro como moeda de troca para dispensar” a prestação de
cuidados, considerando que tal é uma “violação grosseira” da ética.“Os
médicos devem ser bem remunerados, mas não podem usar o dinheiro como
moeda de troca para dispensarem cuidados de saúde aos seus doentes.
Julgo que isso é uma violação grosseira do juramento de Hipócrates, da
ética e da deontologia”, disse o número dois do Governo Regional.No
domingo, o presidente do executivo, José Manuel Bolieiro, negou
“categoricamente que tenha havido qualquer intenção” do vice-presidente
“de desconsiderar os colegas médicos”.O
diretor clínico do HDES, ainda no âmbito das suas declarações à Lusa,
recusou-se a comentar as declarações, tendo-se manifestando esperançoso
de que “se irá conseguir chegar a um consenso” e assegurar o
funcionamento dos serviços sem dificuldades adicionais”.Neste
momento, existem no HDES cerca de 380 médicos, estando parte destes
profissionais a manifestar a sua indisponibilidade para realizar horas
extras diariamente. Segundo um diploma que
entrou em vigor na sexta-feira, os médicos que façam horas
extraordinárias na urgência ou atendimento permanente nos Açores têm um
novo acréscimo remuneratório por hora a partir da primeira posição
remuneratória de assistente graduado sénior.A
majoração do valor pago por hora suplementar é de 1,25 (25%) na
primeira hora do trabalho diurno, de 1,50 nas horas seguintes, passando
para 2 (100%) no caso de ser trabalho noturno em dias da semana ou
diurno aos sábados, domingos, feriados e descanso semanal, sendo que o
índice sobe para 2,5 no trabalho noturno dos sábados, domingos, feriados
e descanso semanal.