Hospital de Ponta Delgada com 21 dos 25 diretores dos serviços clínicos demissionários
2 de dez. de 2022, 15:52
— Lusa/AO Online
Segundo
Emanuel Dias, porta-voz dos diretores de serviços clínicos
demissionários, a escala de serviço do Hospital do Divino Espírito Santo
(HDES) “não está preenchida e quem está a preenche-la é o atual
conselho de administração, que não o tem conseguido”.A
responsável nos Açores da Ordem dos Médicos, Margarida Moura,
denunciou, na quinta-feira, a falta de condições de assistência aos
doentes no Hospital de Ponta Delgada, nomeadamente na cirurgia geral,
cuja diretora de serviço apresentou a demissão.Na
altura, Margarida Moura referiu que “há escalas em diferentes serviços
que não estão de acordo com as orientações da Ordem dos Médicos e que
põem em perigo a qualidade e segurança da assistência aos doentes”,
nomeadamente no caso da cirurgia geral, em que “é obrigatório estarem
escalados pelo menos dois cirurgiões, por dia, e por turno, e só está
um”, que “não opera sozinho, por razões de segurança”.Hoje,
Emanuel Dias afirmou que “aquilo que o presidente do Governo dos Açores
disse foi falso”, considerando que “foi enganado pelo conselho de
administração, porque as escalas não estão completas”.Emanuel
Dias referiu ainda que a demissão dos diretores dos serviços clínicos
visa “demarcarem-se dessa administração, que é nomeada pelo Governo dos
Açores”.Os médicos, acrescentou, apenas têm o “poder de demonstrar que estão em desacordo com a administração, que deve demitir-se”.Médicos
dos três hospitais públicos da região (Ponta Delgada, Angra do Heroísmo
e Horta) manifestaram, num abaixo-assinado enviado ao presidente do
Governo Regional, José Manuel Bolieiro, ao vice-presidente do executivo,
Artur Lima, e ao secretário regional da Saúde e Desporto, Clélio
Meneses, a sua indisponibilidade para realizar horas extraordinárias
para além do limite legal das 150 horas, o que poderá colocar em causa o
serviço de urgência já em dezembro.Em
causa estão declarações do vice-presidente do Governo dos Açores, que já
afirmou que não teve “intenção de ofender os médicos” quando falou
sobre o trabalho extraordinário, após ter sido criticado por PAN, BE e
PS no parlamento regional.Na quarta-feira,
o presidente do Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) confirmou a
demissão dos 10 chefes do serviço de urgência do hospital de Ponta
Delgada, mas garantiu que “as escalas de urgências dos três hospitais”
estão asseguradas na próxima semana.