Hospital de Ponta Delgada assegura que" segurança dos doentes está garantida"
2 de dez. de 2022, 16:41
— Lusa/AO Online
"A direção clínica e o conselho
de administração afirmam que a segurança dos doentes está garantida, com
esta escala de urgência apresentada, com dois cirurgiões de serviço.
Como sempre foi prática neste hospital", lê-se num esclarecimento
enviado pela maior unidade de saúde dos Açores, em resposta a questões
da agência Lusa.Segundo a administração do
Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), a escala de urgência
apresentada é uma "situação que se tem verificado muitas vezes ao fim de
semana, em que um cirurgião está em presença física e outro em
prevenção". Na nota, a direção clínica e o
conselho de administração reafirmam ainda que as escalas "estão
asseguradas até ao dia 07 de dezembro", acrescentando que foi esta a
informação "transmitida ao presidente do Governo Regional dos Açores".O
conselho de administração refere também ter sido surpreendido por "uma
conferência de imprensa (mais uma) da Ordem dos Médicos" nos Açores,
lamentando a situação, que "pode contribuir para lançar o alarme social
na população", depois de já ter sido iniciada uma "jornada de diálogo"
encetada pelo presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro,
com os representantes sindicais dos médicos. A
administração salienta igualmente que foi respeitado o “protocolo
negocial” que decorre entre o Governo Regional e os sindicatos médicos,
"no estabelecimento de pontes que possam contribuir para a resolução
deste diferendo".A direção clínica e o
conselho de administração do HDES indicam ainda que se mantêm
"totalmente disponíveis e abertos ao diálogo" com todos os diretores de
serviço e "comprometidos em ultrapassar" a situação, que "infelizmente,
também acontece noutros hospitais, de todo o país"."Estamos
solidários com as reivindicações de melhores condições para todos os
que fazem o SRS [Serviço Regional de Saúde], mas cientes de que
existimos para o cidadão açoriano. E para melhor servir aqueles que
necessitam, que são os doentes", escrevem.Quanto
às declarações da diretora do serviço de cirurgia geral do HDES, Maria
Inês Leite, que apresentou a demissão na quinta-feira, o conselho de
administração do Hospital de Ponta Delgada esclarece que o diretor
clínico reuniu com a responsável "inúmeras vezes" e "sempre mostrou a
maior abertura de colaboração".Já depois
de ter sido enviado este esclarecimento à Lusa pela unidade de saúde, o
Governo Regional anunciou que a presidente da administração do Hospital
do Divino Espírito Santo apresentou hoje o pedido de demissão, que foi
aceite pelo presidente do Governo dos Açores.Também
hoje, 21 dos 25 diretores dos serviços do Hospital de Ponta Delgada
demitiram-se, segundo disse à Lusa o médico Emanuel Dias, considerando
que o presidente do Governo Regional foi “enganado” pela administração
sobre as escalas.De acordo com Emanuel
Dias, porta-voz dos diretores de serviços clínicos demissionários, a
escala de serviço do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) “não está
preenchida e quem está a preenche-la é o atual conselho de
administração, que não o tem conseguido”.Emanuel
Dias afirmou que “aquilo que o presidente do Governo dos Açores disse
foi falso”, considerando que “foi enganado pelo conselho de
administração, porque as escalas não estão completas”.