Hospital da Ilha Terceira tem uma nova estação de tratamento de água para hemodiálise

11 de nov. de 2022, 15:49 — Lusa/AO Online

“É uma resposta que implicou um investimento de cerca de 280 mil euros e que tem ganhos ao nível de sustentabilidade, de segurança, eliminando risco, e ao nível de rapidez nalguns casos de doentes, nalgumas circunstâncias, através da diálise de alto fluxo, em que reduz para cerca de metade o tempo da sessão de diálise”, avançou o secretário regional da Saúde e Desporto dos Açores, Clélio Meneses, presente na cerimónia.Os Açores têm atualmente 226 doentes em hemodiálise, 124 na ilha de São Miguel, 79 na ilha Terceira, 17 na ilha do Faial e seis na ilha do Pico.A nova estação de tratamento de água do HSEIT, adjudicada em 2020, está em funcionamento há “um mês e meio” e já demonstrou “fiabilidade” e “eficiência”, segundo o presidente do conselho de administração, Pedro Marques.“É um salto qualitativo tecnológico, científico, mas também ambiental e de sustentabilidade e sobretudo de segurança, fiabilidade e qualidade do ato prestado ao utente”, adiantou.Segundo a diretora do serviço de nefrologia do hospital, Lourdes Dias, o novo equipamento permite implementar técnicas que ainda não eram utilizadas, como o alto fluxo e a hemodiafiltração, com vantagens para a qualidade do tratamento.“O alto fluxo permite aos doentes ficarem muito melhor dialisados, porque, no mesmo tempo de diálise, depura mais toxinas urémicas e faz com que os doentes fiquem muito mais dialisados e tenham menos complicações. Além disso, podem-se implementar técnicas em doentes com insuficiência cardíaca, porque permite uma hemodiálise mais estável”, explicou.A estação, que utiliza a tecnologia “mais avançada do ponto de vista tecnológico” existente atualmente, vai permitir também uma maior sustentabilidade ambiental, de acordo com João Costa, responsável para Espanha e Portugal do serviço técnico da Baxter, empresa que forneceu o equipamento.“Conseguimos chegar a uma poupança anual de cerca de 3.500 metro cúbicos de água, o que, em linguagem comum, equivale a um pouco mais de uma piscina olímpica cheia de água. É algo significativo, muito mais nos dias de hoje, em que a sustentabilidade é uma questão muito importante”, apontou.A estação de tratamento de água para hemodiálise foi inaugurada no dia em que o HSEIT comemora o seu 530.º aniversário.A efeméride ocorreu em março, mas as celebrações foram adiadas, devido à situação de contingência na ilha de São Jorge, imposta por uma crise sismovulcânica.O secretário regional da Saúde lembrou que o hospital, o primeiro da região, foi “fundado para tratar dos enfermos e dos viajantes” que passavam pela ilha Terceira, frisando que os serviços de saúde são hoje um critério prioritário na escolha de um destino turístico.“Um dos grandes desafios que temos é fazer com que cada vez mais este hospital seja uma marca de qualidade, de disponibilidade e de rapidez de acesso”, disse.O presidente do conselho de administração do hospital identificou como principais desafios a criação de condições para fixar médicos, o aumento de idoneidades formativas, a construção de um novo laboratório para o serviço de epidemiologia e biologia molecular e o reforço do serviço de evacuações médicas, que serve todo o arquipélago.“Sabemos o quadro que temos, quer de médicos, quer de enfermeiros, quer de outras profissões e a idade que têm e a necessidade que temos de prever, por antecipação, as necessidades que iremos ter no futuro. Este caminho da diferenciação e da elevação da qualidade não pode deixar de ser uma das prioridades do conselho de administração”, referiu.