Hospital da Ilha Terceira reabre unidade de cuidados intermédios cardíaca
Hoje 16:31
— Lusa/AO Online
“Temos
a expectativa óbvia e natural – e já foi anunciado no ano passado […] –
de virmos a ter aqui a possibilidade de realizar angioplastia primária,
que necessita de uma sala, onde se possam fazer cateterismos, a sala de
hemodinâmica, que irá servir várias especialidades”, afirmou, em
declarações aos jornalistas, o diretor do serviço de cardiologia do
hospital, João Paisana Lopes.Com uma
unidade de hemodinâmica no Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira
(HSEIT), no concelho de Angra do Heroísmo, a desobstrução de artérias em
caso de enfarte pode ser feita “nas primeiras horas”, evitando “o
transporte de helicóptero e o complemento desse trabalho no Hospital do
Divino Espírito Santo [HDES], em São Miguel”, explicou o cardiologista.O
hospital já lançou o concurso para a aquisição de um angiógrafo, com
fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mas o serviço de
cardiologia conta atualmente apenas com quatro médicos da especialidade,
que não têm competências para realizar coronariografias.“Vamos
arranjar hemodinamistas seniores, com experiência, e o nosso objetivo é
trazê-los aqui para trabalharem connosco. Obviamente tendo em
consideração - e na minha opinião deverão ser os primeiros a ser
convidados - os nossos colegas que trabalham em São Miguel”, avançou
Paisana Lopes.O diretor disse acreditar
que a unidade de hemodinâmica do HSEIT será aberta ainda em 2026, talvez
"mais rapidamente" do que se espera.No
entanto, defendeu que a reabertura da unidade de cuidados intermédios
cardíaca já “representa um grande salto em frente” na melhoria dos
serviços prestados e na redução da mortalidade e morbilidade.A unidade existia no antigo Hospital de Santo Espírito, mas não foi continuada com a mudança para o novo edifício, em 2012.“Foi
um retrocesso, de facto, porque deixámos de ter enfermeiros específicos
da cardiologia, já com muitos conhecimentos passados pelos
cardiologistas", lamentou Paisana Lopes, que à data não era diretor do
serviço.Com o nome de Coelho Gil,
responsável pela criação da primeira unidade de cuidados coronários na
ilha Terceira, a nova unidade conta com sete camas e vai permitir
monitorizar os doentes 24 horas por dia.Para Paisana Lopes, será também um incentivo à fixação de cardiologistas no hospital.“Não
é fácil cativar cardiologistas ou internos de cardiologia a virem para a
ilha Terceira ou a ficarem aqui. Sabendo que demos aqui um primeiro
passo para um futuro risonho, em que eles se podem realizar, não só a
tratar os doentes na vertente clínica, mas a fazer exames complementares
que vão contribuir para reduzir a mortalidade dos pacientes, obviamente
que isso é muito importante”, vincou.Também
a secretária regional da Saúde e Segurança Social dos Açores, Mónica
Seidi, defendeu que é preciso apostar na diferenciação para atrair
cardiologistas para o hospital.“Sem uma
unidade coronária, não podemos pensar nem numa sala de hemodinâmica, nem
noutro tipo de procedimentos que venham a ser feitos. Este é o primeiro
passo. Naturalmente o hospital tem os seus objetivos definidos e
naturalmente irá discuti-los em conjunto com o Governo Regional, sendo
certo que queremos sempre uma ótica de complementaridade entre todas as
instituições do Serviço Regional de Saúde”, afirmou.Segundo
a governante, a nova unidade de cuidados intermédios cardíaca poderá
permitir uma redução de deslocações de utentes para fora da ilha
Terceira.“Pelo histórico, prevemos que se
consiga evitar cerca de 20 evacuações [médicas por ano] para fora da
região. Naturalmente, como os doentes do foro coronário têm de se
deslocar para Ponta Delgada, para muitas vezes fazerem procedimentos que
não são realizados no Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, é
natural que haja uma redução”, explicou, ressalvando que se for
necessário realizar um procedimento invasivo os doentes continuarão a
ser enviados para Ponta Delgada.O
angiógrafo para a sala de hemodinâmica é um dos equipamentos que serão
adquiridos para o HSEIT, no âmbito do PRR, em 2026, num investimento
total de três milhões de euros.