Hospitais públicos asseguram 80% das urgências e mais de 70% de internamentos e cirurgias
4 de abr. de 2025, 15:52
— Lusa/AO Online
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), os hospitais
do setor público também asseguraram a maioria das consultas médicas,
“mas esta é a componente de atividade em que os hospitais privados
comseguiram atingir o peso mais expressivo, representando 39,2% do
total”. Os dados da publicação
“Estatísticas da Saúde”, divulgada por ocasião do Dia Mundial de Saúde,
que se assinala a 7 de abril, referem que em 2023 existiam 242
hospitais em Portugal, 112 dos quais do Serviço Nacional de Saúde.
“O número de hospitais do setor público em funcionamento tem
permanecido relativamente estável desde 2016, mas houve uma diminuição
de 15 hospitais em relação a 2010”, assinala o INE.
Relativamente aos hospitais privados, o INE adianta que 130 estavam
em funcionamento, mais 28 do que em 2010, sublinhando que a sua
“predominância numérica” se iniciou em 2016 e abrange todo o país.
Em 2023, existiam nos hospitais 35,7 mil camas disponíveis e
apetrechadas para internamento imediato, menos 211 do que em 2022,
correspondente a 3,4 camas de internamento por 1.000 habitantes. Do total de camas, 67,9% estavam em hospitais públicos ou em parceria público-privada.Em
relação ao início da série estatística, em 1999, assistiu-se a uma
redução de 2,5 mil camas de internamento (menos 6,7%) causada
principalmente pela evolução nos hospitais públicos ou em parceria
público-privada (menos 5,5 mil camas, o equivalente a menos 18,4%). Em
contrapartida, entre 1999 e 2023 registou-se um acréscimo de 2,9 mil
camas de internamento nos hospitais privados (mais 34,4%).Relativamente
aos internamentos, os dados indicam que, depois de em 2020 terem sido
registados os valores mais baixos da série iniciada em 1999, o número de
internamentos em 2023 voltou a ultrapassar um milhão, totalizando cerca
de 1,1 milhões, e o número de dias de internamento os 10 milhões, tendo
ocorrido mais 27,5 mil internamentos (2,5%) e menos cerca de 36.200
dias de internamento face a 2022 (0,4%).
“Os hospitais públicos ou em parceria público-privada asseguraram cerca
de 828 mil internamentos (73% do total) e 7,3 milhões de dias de
internamento (71,9% do total)”, o que significa um reforço de
aproximadamente três mil internamentos e menos 123 mil dias de
internamento relativamente a 2022.No ano
de 2023, os doentes permaneceram internados nos hospitais públicos e em
parceria público-privada, em média 8,9 dias (8,8 em 2022), enquanto nos
hospitais privados o tempo médio de internamento foi de nove dias (10,1
dias em 2022).Em 2023, realizaram-se cerca
de 8,1 milhões de atendimentos nos serviços de urgência dos hospitais
portugueses, mais cerca de 48.100 do que em 2022 (+0,6%). Nos
hospitais do setor público, realizaram-se 6,5 milhões de atendimentos
em 2023, menos 0,6% comparativamente a 2022, e nos hospitais privados
1,5 milhões, (mais 5,8%), o número mais elevado desde 1999.Em 2023, existiam em Portugal 62.132 médicos e 83.538 enfermeiros, respetivamente mais 2,9% e 2,1% do que em 2022. O
número de médicos por mil habitantes era mais elevado na região da
Grande Lisboa (8,2) e mais baixo na região Oeste e Vale do Tejo (2,5),
enquanto o número de enfermeiros por mil habitantes era mais elevado na
Madeira e nos Açores (10,3 e 10,0, respetivamente) e menor na região
Oeste e Vale do Tejo (5). Entre 2000 e
2023, o número de especialistas em Medicina Geral e Familiar quase
duplicou e o número de especialistas em Pediatria aumentou 82,6%
(respetivamente, 3,0% e 2,9% em média ao ano).Em
2023, 40,3% (25.016) do total de médicos trabalhavam num hospital,
menos 0,9 pontos percentuais que em 2022, refere o INE, notando que “a
proporção de médicos a trabalhar nos hospitais tem vindo a diminuir nos
últimos 24 anos: em 1999 representavam 61,2%”.