Homenagem aos portugueses mortos na Grande Guerra é uma reparação histórica
9 de abr. de 2018, 15:10
— Lusa/AO online
“Foi uma
homenagem emocionante, uma reparação histórica porque durante muito
tempo se fez a história desta batalha e da participação portuguesa [na
Primeira Guerra Mundial] de acordo com a visão de outros e essa visão
não era justa para Portugal, nem para os combatentes portugueses”, disse
Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas.Para
o chefe de Estado “finalmente se está a fazer a história do que se
passou de facto, do sacrifício, da dedicação, da coragem” dos oficiais e
dos soldados do Corpo Expedicionário Português que chegaram a França em
janeiro de 1917 para combater ao lado dos aliados.A
Batalha de La Lys foi uma das mais mortíferas da história militar
português, provocando mais de 7.000 vítimas entre mortos, feridos e
prisioneiros.Marcelo
Rebelo de Sousa destacou ainda o facto de o Presidente francês ter
estado nas cerimónias no cemitério militar português de Richebourg, no
norte de França, referindo que foi particularmente emocionante estar ali
com Emmanuel Macron, uma presença "intensa, vivida e longa,
sacrificando um programa que tinha em Paris”. Referindo
que muitos não conhecem a história da batalha, o chefe de Estado
considerou ainda que é preciso recuperar essa memória, apagada também
pela ditadura. “Fez
parte da lógica da ditadura apagar a história da Grande Guerra uma vez
que ela nasceu largamente de um movimento militar crítico com a situação
vivida em Portugal e que não guardou uma boa memoria da Grande Guerra
e, por isso, em décadas essa memória não foi devidamente prestigiada
respeitada e até mesmo contada”, considerou.Nesse
sentido, Marcelo Rebelo de Sousa disse esperar que possa ser possível,
em novembro, quando se celebra o fim da Primeira Guerra Mundial,
“recuperar-se uma tradição que é a homenagem junto do monumento dos
heróis da Grande Guerra na Avenida da Liberdade [em Lisboa], com uma
grande homenagem militar”.