“Hoje posso concluir que fomos conservadores no plano” de reestruturação
TAP
4 de mai. de 2023, 19:29
— Lusa/AO Online
“É fácil
nós vermos com os olhos de hoje que o que aconteceu em 2020 e 2021 não
foi a tragédia que podia ter sido, embora tenha sido francamente mau,
[…] mas é evidente que hoje eu posso concluir que nós fomos
conservadores no plano [de reestruturação]”, respondeu Miguel
Frasquilho, que está a ser ouvido na comissão parlamentar de inquérito à
companhia aérea.O antigo ‘chairman’ da
TAP respondia a questões sobre as exigências da Comissão Europeia
relativamente ao plano de reestruturação e recordou que, entre dezembro
de 2020 e março de 2021, em plena pandemia de covid-19, a Associação
Internacional de Transportes Aéreos (IATA, na sigla inglesa) reviu três
vezes em baixa as perspetivas para a atividade no setor, embora a
recuperação tenha acontecido antes do previsto.Miguel
Frasquilho confirmou que Bruxelas não fez exigências específicas quanto
a cortes salariais, mas fê-lo quanto à massa salarial.“Gostaríamos
de nunca ter de ter implementado nenhum plano com esta gravidade”,
admitiu Miguel Frasquilho, explicando que se optou por uma “postura mais
conservadora”, em vez de outra “menos temerária” que pudesse “resultar
mal no futuro” e não permitir a aprovação do plano de reestruturação
pela Comissão Europeia, o que, sublinhou, “seria uma desgraça”.Quanto
aos cortes salariais, o antigo presidente do Conselho de Administração
referiu que foi a medida que permitiu salvar cerca de 3.000 postos de
trabalho que teriam de ser eliminados caso não se interviesse nos
ordenados. Economista de formação, Miguel
Frasquilho foi também deputado na Assembleia da República, pelo PSD, e
secretário de Estado do Tesouro e Finanças entre 2002 e 2003, e assumiu o
cargo de presidente do Conselho de Administração da TAP, em junho de
2017, por nomeação do Estado, detentor de 50% do capital.Depois
da reversão da privatização feita, em 2015, na reta final do governo do
PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho, o Conselho de
Administração da TAP ficou composto por seis elementos indicados pelo
Estado e outros seis escolhidos pelo consórcio Atlantic Gateway, dos
empresários Humberto Pedrosa e David Neeleman, com uma participação de
45% (os restantes 5% pertenciam aos trabalhadores), sendo que o
presidente nomeado pelo Estado tinha voto de qualidade.Na
carta de despedida aos trabalhadores, em junho de 2021, Miguel
Frasquilho afirmou sair com a “tranquilidade do dever cumprido”,
explicando que a saída resultava da falta de conjugação de vontades para
continuar entre o próprio e o Estado.