Hillary Clinton exige que verdade venha à tona no caso Epstein
Hoje 10:24
— Lusa/AO Online
Em frente ao Centro de Artes de
Chappaqua, onde prestou depoimento perante os congressistas da Comissão
de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes,
Hillary Clinton elogiou o presidente do comité, o republicano James
Comer, por levantar uma série de questões importantes sobre a natureza
da investigação e por ouvi-la sobre as áreas que a democrata considera
que precisam de ser exploradas."Agradeci
isso. Quero que a verdade venha à tona, então essa foi uma maneira
tranquilizadora de encerrar um depoimento muito longo e repetitivo",
disse a jornalistas, no final da audição.A
antiga primeira-dama confirmou que respondeu repetidamente à mesma
pergunta dos congressistas sobre se conhecia o criminoso sexual Jeffrey
Epstein."Não sei quantas vezes tive que dizer que não conhecia Jeffrey Epstein", afirmou.Também
disse aos repórteres que o seu marido, o ex-presidente Bill Clinton,
que será ouvido nos mesmos moldes na sexta-feira, havia encerrado as
ligações com Epstein antes que os abusos sexuais cometidos pelo
magnata se tornassem conhecidos.Hillary Clinton garantiu ter a certeza de que o seu marido não sabia nada sobre os crimes de Jeffrey Epstein."A
grande maioria das pessoas que tiveram contacto com ele [Epstein] antes
da sua confissão de culpa em 2008 (...) não sabia o que ele estava a
fazer", insistiu.A antiga primeira-dama já
havia declarado que o seu marido viajava com Epstein em contextos
beneficentes, mas que não se lembrava de tê-lo conhecido pessoalmente.Admitiu
também ter interagido com Ghislaine Maxwell, ex-namorada e confidente
de Epstein, em conferências organizadas pela Fundação Clinton.Maxwell,
uma socialite britânica que atualmente cumpre pena de prisão por
tráfico sexual, também compareceu ao casamento da filha do casal
Clinton, Chelsea Clinton, em 2010.Ao sair
da audição, Hillary Clinton disse aos jornalistas que Maxwell havia
comparecido ao casamento como convidada de outra pessoa e que havia dito
aos congressistas que só via Maxwell "como uma conhecida"."Se
esta comissão realmente quisesse saber a verdade sobre os crimes de
exploração sexual de Epstein (...), pediria diretamente ao nosso atual
Presidente [Donald Trump] que se explicasse sob juramento sobre as
dezenas de milhares de vezes em que aparece nos arquivos", disse a
ex-secretária de Estado numa declaração inicial que compartilhou na
plataforma X.Hillary Clinton reiterou que a
audição foi muito repetitiva e que a comissão perdeu a oportunidade de
lhe dar um depoimento público.Garante que não fará novamente uma sessão como a de quinta-feira.Membros
da Comissão de Supervisão Câmara dos Representantes, de maioria
republicana, viajaram para Chappaqua, uma pequena cidade rica ao norte
da cidade de Nova Iorque, onde os Clinton possuem uma casa e onde
decorrem as audições.A ex-secretária de Estado foi ouvida antes do seu marido, que testemunhará na sexta-feira.O
ex-Presidente democrata Bill Clinton viajou diversas vezes no jato
particular de Jeffrey Epstein e foi fotografado na sua companhia em
inúmeras ocasiões."Temos muitas perguntas
para o marido dela", concluiu o republicano James Comer, presidente da
comissão, observando que Hillary Clinton havia respondido "uma dúzia" de
vezes que algumas questões deveriam ser feitas ao ex-presidente
diretamente.Já os democratas da comissão,
por sua vez, aproveitaram-se de um novo elemento do caso que se mostrou
constrangedor para Donald Trump.Segundo
diversos meios de comunicação, o Departamento de Justiça impediu a
divulgação de documentos relacionados às acusações de uma mulher que
alega ter sido abusada sexualmente quando menor de idade por Jeffrey
Epstein e Donald Trump."Estes são
documentos que acusam o Presidente dos Estados Unidos de atos
gravíssimos de violência sexual", insistiu o congressista da
Califórnia Robert Garcia."Exigimos que o
Presidente Trump seja convocado imediatamente para depor perante a nossa
comissão", acrescentou, repetindo os apelos já deixados por Hillary
Clinton.