Nos Açores, a fruta está a ganhar protagonismo nas lancheiras e nas
conversas das crianças. Através do programa “Heróis da Fruta – Lanche
Escolar Saudável”, promovido pela Associação Portuguesa Contra a
Obesidade Infantil (APCOI), várias escolas e instituições da região têm
testemunhado uma verdadeira mudança nos hábitos alimentares dos mais
novos.Mais do que um desafio escolar, o projeto, que este ano letivo
celebra a 15.ª edição, tornou-se parte do quotidiano de centenas de
crianças açorianas.Na EB1/JI de Milagres, nos Arrifes, a educadora
Ana Paula Cardoso Fresta recorda o primeiro contacto com o programa, em
2022/2023. “Nas lancheiras, víamos muitos alimentos processados e
pouco frescos. A ideia era inverter essa tendência”, explica ao Açoriano
Oriental. O projeto rapidamente ganhou vida e espaço no dia a dia
escolar.“Começámos a dinamizar o Momento da Fruta todos os dias. As
crianças comiam com tanto entusiasmo que um estagiário chegou a dizer
que parecia o Momento do Chocolate. Essa frase ficou na memória porque
simboliza a mudança: as crianças passaram a associar prazer à fruta”,
partilha a educadora com um sorriso.Hoje, o grupo mantém o hábito ao
longo de todo o ano letivo. “Apesar de o desafio durar cinco semanas,
nós damos-lhe continuidade até junho. Notamos que as crianças pedem mais
fruta, experimentam novos sabores e até influenciam os pais a fazer o
mesmo”, acrescenta.Ana Paula considera que o impacto vai além da
alimentação. “O programa promove responsabilidade, autonomia e
cidadania. As crianças aprendem a cuidar de si e do planeta -e levam
esses valores para casa".Na Lagoa, o Centro de Atividades de Tempos
Livres “O BORBAS” implementou o projeto em 2020. Desde então, a
coordenadora Carolina Pacheco testemunhou uma evolução visível. “Antes
do programa, havia crianças que simplesmente não comiam fruta. Hoje,
todos os participantes ingerem uma a três porções de fruta ou vegetais
por dia. É uma mudança enorme”, refere ao jornal.O entusiasmo,
conta, ultrapassa os muros do ATL: “As famílias começaram a participar
mais. Muitas vezes, são as próprias crianças que pedem aos pais para
comprar fruta diferente ou para provarem novos alimentos. Quando isso
acontece, sentimos que a missão está cumprida".Para Carolina
Pacheco, o segredo está na ligação entre escola, famílias e comunidade.
“O projeto resulta quando todos se envolvem. Seria interessante criar
desafios mensais entre famílias, como receitas saudáveis partilhadas
numa plataforma online. Isso reforçaria ainda mais a motivação".Na
EBI da Praia da Vitória, na ilha Terceira, a educadora Alice Balbino
participa há quatro anos no programa e sublinha o entusiasmo das
crianças: “Elas vestem a ‘capa’ de heróis com orgulho. Percebem que
comer fruta é uma escolha poderosa, que faz bem e dá energia".O
impacto é enorme. “Vemos alunos a pedir fruta nos lanches e a falar de
nutrição com naturalidade. Alguns até explicam aos colegas mais novos
porque é importante comer saudável. É uma mudança de mentalidade que
começa cedo e tem efeitos duradouros”, explica ao AO.Para manter o
entusiasmo, Alice propôs a criação de um ‘Dia da Fruta’ mensal, em que
cada criança apresenta uma fruta diferente e partilha curiosidades sobre
ela. “É uma forma divertida de explorar sabores e culturas, e de
celebrar a diversidade alimentar”, afirma.As três educadoras concordam que o programa “Heróis da Fruta” tem um grande impacto nos mais jovens.