Helena Roseta demite-se após terceiro adiamento da votação das novas regras da Habitação
23 de out. de 2018, 14:13
— Lusa/AO Online
Os
socialistas pediram o adiamento, alegando que se trata de uma matéria
muito complexa, parte da qual já tem implicações na proposta de
Orçamento do Estado apresentado pelo Governo, e propõem que as votações
sejam retomadas na primeira semana de dezembro, a tempo de entrarem em
vigor no início de 2019, como previsto.Por
discordar da posição do partido, a deputada independente eleita pelo
Partido Socialista, Helena Roseta, demitiu-se da coordenação do grupo de
trabalho parlamentar da Habitação, Reabilitação Urbana e Políticas de
Cidades."O meu
dever de consciência como deputada eleita por Lisboa, cuja principal
causa na Assembleia tem sido o direito à habitação, o meu dever de
consciência é não adiar uma coisa que considero urgentíssima", disse a
deputada, em declarações aos jornalistas."Portanto,
perante este conflito entre um dever de disciplina partidária e um
dever de consciência, eu entendo, nos termos constitucionais, que o
dever de consciência está acima. Um deputado vota de acordo com a sua
consciência. Não tenho nenhuma dúvida sobre isso e, portanto, deve aqui
conduzir-se os trabalhos na mesma circunstância. Não vou ficar a
coordenar um grupo de trabalho quando tenho aqui uma divergência que tem
alguma gravidade, na minha opinião, com a orientação seguida pelo grupo
parlamentar", acrescentou.Helena
Roseta disse ainda que, “a leitura que faz é que o PS pede o adiamento
porque não tem maioria para as suas propostas. Nós não podemos tirar
daqui a conclusão de que um partido, quando não tem maioria, adia
sistematicamente as votações, porque acho que isto, de facto, põe em
causa o funcionamento democrático das instituições”.“É
por isso que eu me demito. Não é uma simples questão processual. É
porque acho que esta maneira de fazer não corresponde. Em democracia
perde-se e ganha-se e é sempre democrático. Agora adiar sucessivamente
porque não se conseguiu maioria eu penso que é um mau princípio”,
considerou a deputada.O
deputado socialista Joao Paulo Correia, assegurou que o PS pretende
retomar os trabalhos a 04 de dezembro, após a discussão do Orçamento do
Estado (OE) para 2019, e que este calendário permitirá que as novas
regras sobre a habitação entrem em vigor na data prevista, no início do
próximo ano, assegurando que, nas próximas semanas, as propostas
obtenham "uma ampla maioria" para serem "boas leis"."Trata-se
de propostas da iniciativa do Governo e, em segundo lugar, a proposta
de OE que foi entregue já inclui nos mapas da receita e da despesa todas
as medidas que fazem parte das propostas de lei" do Governo,
justificou, em declarações aos jornalistas."Para
conseguirmos transformar propostas em lei temos de garantir uma maioria
que vote favoravelmente todas estas medidas. O nosso objetivo - e será
conseguido certamente - é que estas propostas estejam todas aprovadas e
aptas a entrar em vigor no dia 01 de janeiro de 2019. Nós continuamos a
olhar para este problema do mercado de arrendamento como um assunto
urgente, mas em que a pressa não pode ser inimiga da boa lei. Nós, para
garantirmos uma boa lei, precisamos de manter durante mais algumas
semanas o diálogo e a conversação com todos os partidos, nomeadamente
com o PCP e o BE e também o PSD, se o PSD estiver disponível para
dialogar connosco", acrescentou.A votação do requerimento que adiou os trabalhos teve a oposição do PCP e do Bloco de Esquerda.A
deputada Paula Santos, do PCP, destacou que o partido "não pode
acompanhar o PS neste pedido de suspensão da votação" e o deputado do BE
Pedro Soares salientou que o adiamento "não responde à situação de
emergência social que se está a viver"."Tudo
indica que o PS altera o seu procedimento no sentido de alterar a
legislação para que reflita também o entendimento das esquerdas sobre
estas matérias. O BE vê com a maior preocupação este adiamento e não
pode acompanhar o PS", disse Pedro Soares.O PSD votou a favor do adiamento e o CDS-PP esteve ausente dos trabalhos.O
requerimento tem ainda de ser votado hoje à tarde em comissão
parlamentar, apesar de os seus efeitos já terem sido produzidos, como
explicou Helena Roseta.Esta é a terceira vez que a votação é adiada.O
PS já tinha requerido o adiamento potestativo da votação indiciária das
propostas relativas ao pacote legislativo sobre habitação a 11 de
outubro e, dias depois, a 16 de outubro, foi a vez do PSD pedir o
adiamento.O
processo de votação indiciária do pacote legislativo sobre habitação
inclui 11 iniciativas pendentes, das quais três são propostas de lei do
Governo, nomeadamente o Programa de Arrendamento Acessível e os
benefícios fiscais para contratos de arrendamento de longa duração.Além
das propostas do Executivo, existem três projetos de lei do PSD, dois
do BE, um do CDS-PP, um do PEV e outro do PAN, com iniciativas dirigidas
ao mercado do arrendamento urbano, nomeadamente medidas de caráter
fiscal, seguros de renda e subsídios de renda.