Hélder Fialho diz que "nunca se falou em risco de insolvência" da Azores Parque
2 de fev. de 2023, 17:04
— Lusa
O
Tribunal Judicial de Ponta Delgada, nos Açores, está a repetir, desde
novembro de 2022, o julgamento da insolvência da antiga empresa
municipal Azores Parque.Este caso voltou a
tribunal porque, em 08 de fevereiro de 2022, a Relação de Lisboa
decidiu “julgar procedente o recurso” interposto pela advogada de defesa
de Carlos Silveira, administrador de direito da Azores Parque e um dos
dois condenados neste processo, determinando a citação do ex-presidente
do Santa Clara e "a sua afetação no incidente de insolvência culposa".Hoje,
durante mais uma sessão de repetição do julgamento, Hélder Fialho,
também ex-diretor-geral do Coliseu Micaelense, sustentou que "comunicava
de forma regular" aos bancos a situação da antiga empresa municipal.“Eles
sabiam como estava a Azores Parque. Conheciam as contas”, vincou o
ex-responsável, perante a juíza, assegurando que "nunca" se "levantou
esse problema de risco de insolvência".Segundo reforçou, “nunca se falou em risco de insolvência da Azores Parque".O
ex-diretor geral da Azores Parque, que exerceu o cargo até fevereiro de
2019, um mês antes da alienação da empresa, admitiu que uma das
questões, que alegadamente terá tornado mais difícil a gestão da antiga
empresa municipal, foi "o aumento do 'spread'" pela banca.Hélder
Fialho rejeitou ainda ter alegadamente recebido “algum envelope ou
dinheiro para pagar alguma coisa" no âmbito do processo da Azores
Parque, "nem antes, nem depois da venda" da antiga empresa municipal.A
venda da empresa foi aprovada em Assembleia Municipal, em novembro de
2018, e oficializada em março de 2019, altura em que a sociedade
comercial Alixir Capital comprou 102 mil ações, com um valor nominal de
cinco euros cada, perfazendo um total de 510 mil euros, mas que foram
adquiridas por 500 euros.Em oito meses, a
Azores Parque alienou vários imóveis por 705 mil euros, mas retirou todo
o dinheiro das contas bancárias antes de ser declarada insolvente.Na
sentença de primeira instância, o tribunal concluiu o “caráter culposo
da insolvência” da Azores Parque com “afetação pessoal” de Carlos
Silveira e Khaled Saleh.Em causa, neste
processo, está a alienação da Azores Parque – Sociedade de
Desenvolvimento e Gestão de Parques Empresariais, uma empresa municipal
de Ponta Delgada que visava a promoção e desenvolvimento urbanístico
imobiliário de parques empresariais.À data
dos factos – 2019 – a presidência da Câmara Municipal de Ponta Delgada
era ocupada pelo atual presidente do Governo Regional dos Açores, José
Manuel Bolieiro (PSD).A sentença de
primeira instância, proferida em 19 de abril de 2021, ilibava o
presidente do Governo Regional, a antiga presidente da Câmara Municipal
Maria José Duarte e Humberto Melo, que era, então, vice-presidente da
autarquia, de insolvência culposa.Em
novembro de 2022, quando se iniciou a repetição do julgamento deste
processo, o ex-presidente do Santa Clara Rui Cordeiro rejeitou, em
tribunal, “qualquer intervenção” na gestão e venda da antiga empresa
municipal, garantindo que prestou apenas serviços jurídicos como
advogado.Já o ex-administrador da Azores
Parque Carlos Silveira afirmou, em novembro, em tribunal, que os atos de
gestão que praticou “foram sempre a mando” do antigo presidente do
Santa Clara Rui Cordeiro, rejeitando ter criado a insolvência da antiga
empresa municipal.As alegações deste processo ficaram marcadas para 31 de março.