HDES reforça combate ao AVC com tecnologia de IA de última geração

Hoje 13:27 — Filipe Torres

O Hospital Divino Espírito Santo (HDES) deu mais um passo na modernização dos cuidados de saúde nos Açores com a implementação da plataforma Brainomix 360, uma ferramenta de Inteligência Artificial (IA) concebida para acelerar o diagnóstico e o tratamento do Acidente Vascular Cerebral (AVC).Segundo a nota de imprensa do HDES, a nova tecnologia, integrada na Unidade de AVC e no Serviço de Imagiologia, permite o processamento automático de exames de Tomografia Computorizada (TC), identificando em poucos segundos sinais precoces de isquemia cerebral e grandes oclusões vasculares, situações que podem ser de difícil deteção numa fase inicial.Segundo a responsável pela Unidade Cérebro Vascular do HDES, Raquel Senra, o AVC constitui uma emergência médica que pode resultar em incapacidade grave ou mesmo na morte.“Como ‘tempo é cérebro’, é fundamental que façamos o diagnóstico o mais precocemente possível e, desta forma, administrar o melhor tratamento mais rapidamente. A Inteligência Artificial irá possibilitar que, de forma quase imediata, possamos identificar sinais precoces de isquemia cerebral e de oclusão de vaso intracraniano e desta forma possibilitar a sua rápida abordagem”, sublinhou.A médica recorda que os Açores ainda não dispõem de trombectomia mecânica, procedimento realizado maioritariamente na Madeira, para onde são encaminhados os doentes que necessitam desta intervenção. Em 2025, o HDES evacuou cerca de 30 doentes para este tratamento, prevendo igualmente um aumento este ano com implementação da técnica.Com a IA, a partilha de imagens médicas “acontecerá praticamente em tempo real”, permitindo agilizar o processo de evacuação e a tomada de decisões clínicas.Outra das mais-valias da plataforma é a possibilidade de os médicos especialistas acederem às imagens processadas através de uma aplicação móvel segura, independentemente da sua localização, facilitando a comunicação imediata entre equipas e decisões rápidas sobre tratamentos como a trombólise ou a transferência para trombectomia.Esta tecnologia contribui ainda para reduzir o denominado tempo “porta-agulha”, melhora a consistência diagnóstica e diminui a variabilidade entre observadores, aumentando significativamente as probabilidades de recuperação funcional dos doentes e reduzindo o risco de sequelas graves.“Ao automatizar a análise de TCs e permitir a partilha de dados em tempo real, o Hospital de Ponta Delgada garante agora uma cobertura tecnológica abrangente, assegurando aos açorianos cuidados de vanguarda no combate a uma das principais causas de mortalidade e incapacidade em Portugal”, conclui a nota.