HDES recebe robô cirúrgico de última geração pioneiro no país
Hoje 09:46
— Rui Jorge Cabral
O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) de Ponta Delgada foi o
primeiro hospital do país a apresentar um robô cirúrgico de 5.ª geração,
num investimento de 2,9 milhões de euros financiados pelo Plano de
Recuperação e Resiliência (PRR).O robô apresentado pelo
presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, é um
modelo IS5000 – Intuitive Da Vinci 5, que está dotado com o mais
avançado sistema de cirurgia robótica atualmente em aplicação. Segundo
informação fornecida pelo Governo Regional dos Açores, o novo robô
cirúrgico de 5.ª geração incorpora mais de 150 inovações tecnológicas.São disso exemplo a visualização tridimensional de alta-definição ou a
maior precisão, que aumenta a segurança e eficácia dos procedimentos
cirúrgicos. “Um pequeno sonho tornado realidade”Durante a
apresentação oficial do novo robô cirúrgico de 5.ª geração, José Manuel
Bolieiro afirmou em declarações aos jornalistas que este “é um pequeno
sonho tornado realidade para este hospital e para os cirurgiões”.José
Manuel Bolieiro lembrou igualmente que “estamos perante o primeiro robô
cirúrgico de 5ª geração em Portugal”, salientando que “hoje é esta a
condição pioneira que o Hospital do Divino Espírito Santo apresenta com
este robô cirúrgico para várias cirurgias”. E para além das vantagens
ao nível da saúde dos utentes, o presidente do Governo Regional
destacou igualmente as vantagens que este novo robô cirúrgico pode
trazer ao Serviço Regional de Saúde, atraindo médicos pela possibilidade
de utilizarem a mais avançada tecnologia em aplicação na atualidade. “Os
cirurgiões que temos sentem-se, por isso, também atraídos a estarem no
Serviço Regional de Saúde”, afirmou o presidente do Governo Regional. E
para os mais jovens, lembrou José Manuel Bolieiro, o novo robô cirúrgico
passará mesmo a ser uma “atração” para o HDES e para o Serviço Regional
de Saúde, configurando uma importante oportunidade de “capacitação
digital” para os novos médicos. Com a apresentação durante o dia de
ontem do novo robô cirúrgico de 5.ª geração do HDES, José Manuel
Bolieiro concluiu a sua intervenção, lembrando o cumprimento de mais um
marco e meta do PRR nos Açores. Robô “não é um brinquedo”Por
seu lado e para o médico cirurgião Luís Bernardo, o novo robô cirúrgico
de 5.ª geração representa “o passo seguinte que nos faltava em termos
de diferenciação em equipamentos cirúrgicos”. E conforme salientou
Luís Bernardo, “a cirurgia robótica não é propriamente um brinquedo, é
um avanço tecnológico grande que nós podemos ter” na prática cirúrgica,
com a vantagem de “conjugar o melhor de dois mundos”. Luís Bernardo é
adjunto da direção clínica do HDES e é também o gestor do processo de
implementação da cirurgia com o robô Da Vinci de 5.ª geração, até ela se
tornar rotina no hospital. Em declarações aos jornalistas, Luís
Bernardo explicou que “a cirurgia robótica conjuga duas coisas: uma
cirurgia imersiva em que nós temos uma visão tão aproximada daquilo que
estamos a operar quanto aquela que é a normal do cirurgião, ao mesmo
tempo que é minimamente invasiva”. Para este médico cirurgião do
HDES, o novo robô cirúrgico “também abre um leque de potencialidades que
nos eram impossíveis até agora, como a possibilidade de estarmos a
fazer uma cirurgia em tempo real com o apoio de alguém ainda mais
diferenciado do que nós, que tem acesso de uma forma encriptada à mesma
cirurgia e que nos pode ajudar em tempo real em termos cirúrgicos”.Refira-se
que a cirurgia robótica já representa a indicação máxima para
determinados tipos de cirurgia oncológica e as instituições que têm esse
tipo de equipamento acabam por se diferenciar ainda mais em termos da
cirurgia que fazem e dos resultados que obtêm na redução das
complicações cirúrgicas e no tempo de estadia do paciente no hospital. Conforme
salienta Luís Bernardo, “todas as grandes instituições já fazem a maior
parte dos procedimentos oncológicos por cirurgia robótica e faltava-nos
dar esse passo” no HDES. Um passo que, concluiu, “felizmente chegou”.As especialidades que irão beneficiar da cirurgia robóticaMas
servirá a cirurgia robótica para todo o tipo de operação? Quais são as
especialidades que vão beneficiar desta nova tecnologia de última
geração que o HDES passa a dispor?Conforme explicou o médico
cirurgião Luís Bernardo, este equipamento de última geração está
certificado a nível europeu para a cirurgia da cabeça e do pescoço, para
a cirurgia urológica, para a cirurgia geral, para cirurgia
esofago-gástrica, para a cirurgia hepato-bilio-pancreática, para a
cirurgia bariátrica, para a cirurgia complexa da parede abdominal, para a
ginecologia obstetrícia e ainda para a cirurgia cardiotorácica, “que
nós não temos ainda mas que ambicionamos vir a ter”, afirma o médico
cirurgião do HDES. Além disso, destaca Luís Bernardo, o robô
cirúrgico de que o HDES agora dispõe é “o único equipamento que está
certificado para uso no adulto e na criança, o que é uma mais-valia”.Portanto,
numa fase inicial, as especialidades que irão utilizar este novo robô
cirúrgico são a otorrinolaringologia, a urologia, a cirurgia geral e a
ginecologia. Mais tarde e conforme as especialidades forem necessitando,
“vai-se ampliando a sua utilização dentro do que está certificado
internacionalmente”, afirma Luís Bernardo. É preciso formação para operar com o robôTratando-se
de uma tecnologia de última geração, o novo robô não irá começar a
operar pacientes sem ajuda externa antes do mês de novembro, devendo os
próximos dois meses ser dedicados à formação e certificação dos médicos
do HDES para poderem operar com o robô.Segundo explica Luís
Bernardo, “durante dois meses há um processo de certificação em que cada
cirurgião terá uma ‘password’ de entrada, que é atribuída pela
empresa-mãe e terá que fazer uma série de simulações - como acontece com
os pilotos de aviação quando fazem a credenciação para novos aparelhos -
até que a própria empresa certifique que o cirurgião está apto a
utilizar o aparelho sem limitações”. A partir daí, prossegue Luís
Bernardo, começa a segunda parte da formação, “que é a cirurgia in vivo,
com experts na área que já têm essa certificação e que estarão ao nosso
lado para fazer os diferentes tipos de cirurgia, pelo que só depois
disso é que a equipa passará a ser autónoma para continuar a operar os
doentes, sem ajuda externa”.Nesse sentido, conclui o médico
cirurgião, “nós apontamos para o início de novembro para a primeira
cirurgia”, no sentido de “dar tempo suficiente para a certificação das
equipas”, sendo que há um cirurgião na consola, a dirigir o robô e há
outro cirurgião que fica junto do doente, podendo ambos trocar de
posições.