HDES promete rever modelo de visitas aos utentes após críticas
18 de set. de 2025, 09:42
— Filipe Torres
O Conselho de Administração do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES),
em Ponta Delgada, admitiu rever o atual modelo de registo e acesso às
visitas, na sequência de críticas feitas numa carta aberta assinada por
Miguel Cabral, filho de pais internados no hospital.Atualmente, o
HDES estabelece dois horários de visitas: entre as 12h00 e as 14h00 e
entre as 18h00 e as 20h00. A carta aberta denuncia que, em ambos os
períodos, os familiares são obrigados a permanecer em fila para efetuar o
registo apenas à hora exata definida, desperdiçando assim parte do
tempo de visita. Ainda segundo a carta, a situação agrava-se pelo facto
de as visitas coincidirem com as refeições (almoço e jantar), momentos
em que muitos doentes, sobretudo idosos, necessitam do apoio direto dos
familiares para se alimentarem.Apesar de reconhecer “o esforço e a
dedicação dos profissionais de saúde” no cuidado aos internados, o autor
alerta para falhas organizacionais que consideram comprometer a
humanização do internamento. No texto, lê-se que “são muitos os
familiares e utentes que consideram este modelo de visitas inadequado,
desgastante e desnecessariamente rígido”.A proposta apresentada
passa por permitir que o registo dos visitantes seja feito antes do
início oficial do horário, evitando filas e permitindo que o tempo junto
do doente seja plenamente aproveitado. “Dessa forma o tempo de visita
seria integralmente destinado ao tempo que realmente importa - estar com
o doente”, explica.“Uma alteração tão pequena poderia ter um
impacto enorme. Ganhar-se-iam minutos valiosos de apoio, partilha ede
cuidado. Reduzir-se-ia afrustração das famílias e melhorar-se-ia a
serenidade dos doentes. E, acima de tudo, reforçar-se-ia a dignidade de
pessoas que, em situações de fragilidade extrema, merecem toda a atenção
possível, não apenas clínica, mas também humana”, lê-se na carta
aberta.A administração reconheceu, em resposta ao Açoriano
Oriental, a pertinência das observações, agradeceu as sugestões
recebidas e assegurou que “irá diligenciar no sentido de acolher as
mesmas com um sistema próprio para o efeito, no mais curto espaço de
tempo possível para a sua implementação”.O Conselho de Administração
não detalhou ao Açoriano Oriental que alterações concretas serão
implementadas, mas garante estar a trabalhar num novo sistema que
concilie segurança, eficiência administrativa e a humanização dos
cuidados.