HDES “procurará ser parte da solução, nunca do problema”
23 de fev. de 2023, 05:58
— Paula Gouveia
A presidente do conselho de administração do Hospital Divino Espírito
Santo (HDES), recentemente nomeada pelo Governo Regional, garantiu que
“o HDES procurará de modo proativo ser parte da solução, nunca do
problema”, assegurando o seu “profundo sentido de responsabilidade para
com esta missão”.Ouvida na Comissão de Assuntos Sociais do
parlamento açoriano, Manuela Gomes de Menezes disse aos deputados que
vai privilegiar áreas de atuação como: a valorização dos recursos
humanos; a eficiência da gestão hospitalar que passará pelas melhores
práticas de gestão e a transformação digital; e ainda a articulação do
HDES com os sistemas de saúde regional e nacional. A nova presidente
do conselho de administração afirmou que coloca “em primeiro lugar” a
valorização dos recursos humanos. “O grande desafio do HDES é ter um
quadro de profissionais robusto, eficiente e altamente qualificado para
responder à missão deste hospital, onde os seus colaboradores se sintam
valorizados e encontrem no HDES o local natural e de eleição para o seu
crescimento profissional e pessoal, e sejam motivados pela prestação de
cuidados de saúde de qualidade e humanizados”, sublinhou. Para a
economista, com especialização académica na área da Gestão dos Recursos
Humanos, para que isso aconteça “há que promover uma cultura e um
ambiente organizacional que valorize esta vontade e que esteja assente
nas melhores práticas de gestão dos recursos humanos”.A eficiência
da gestão hospitalar é outro dos seus vetores de atuação. “Queremos que
os objetivos do HDES sejam alcançados com o mínimo encargo possível”,
sendo para isso necessário garantir “as melhores práticas de gestão
executiva, de um modo geral e de gestão hospitalar, de um modo mais
particular”.Para Manuela Gomes de Menezes será também importante
apostar na transformação digital global do HDES, de modo a garantir a
eficiência e a integridade operacionais, bem como uma melhor interface
com os utentes”; e “investir-se na digitalização de toda a informação do
utente” que permita, por exemplo, evitar o extravio de exames que
obriga à sua repetição. Também para “haver ganhos de gestão”, a nova
presidente do HDES considera que é necessária uma “verdadeira
articulação e integração dos sistemas de informação de todos os
hospitais da Região, Unidades de Saúde, centros de saúde, postos de
saúde, e a criação de um processo clínico eletrónico único do utente ao
nível do sistema regional de saúde”. Devendo do seu ponto de vista serem
criadas novas formas de comunicação com os utentes, dando o exemplo de
SMS para confirmação das consultas e exames complementares.Manuela
Gomes de Menezes elege ainda como importante para o seu mandato uma
aposta na articulação do HDES com todo o Serviço Regional de Saúde e com
o Serviço Nacional de Saúde, devendo o hospital de Ponta Delgada ser um
“agente proativo” também na procura de sinergias entre público e
privado, “inclusive numa lógica preventiva e de literacia da saúde”. E
deu o exemplo da articulação ao nível da Urgência com os cuidados de
saúde primários, aracionalizaçãointegradadas compras no setor da
saúde, e a deslocação de profissionais de saúde do HDES a outras ilhas.Perante
algumas questões dos deputados sobre medidas concretas a adotar,
Manuela Gomes de Menezes sublinhou que só as poderá tornar públicas
depois de, já no pleno das suas funções, ter acesso a informação
completa e “auscultar as pessoas”. Foi o caso quando o deputado do PS
Tiago Lopes a questionou sobre a situação financeira do HDES e o corte
de 3,5 milhões de euros no orçamento do hospital.Outra das questões
abordadas por vários deputados foi a necessidade de atrair recursos
humanos, tendo Manuela Gomes de Menezes considerado que um “clima
organizacional em que reine a paz, a auscultação constante das
necessidades e o dar resposta; (...) um clima de interação, de confiança
e de credibilidade é um fator de atração”. Tendo garantido que o
conselho de administração estará “sempre à disposição para ouvir”.Recorde-se
que Manuela Gomes de Menezes foi nomeada para presidente do conselho de
administração do Hospital do Divino Espírito Santo, depois de Cristina
Fraga ter colocado o cargo à disposição no início de dezembro, na
sequência de um clima de conflito interno com os médicos do hospital,
que levou o presidente do Governo Regional a assumir a liderança das
negociações com os médicos para a pacificação do clima interno no HDES. Questionada
por Tiago Lopes sobre as declarações do secretário regional da Saúde
sobre a sua nomeação, em que Clélio Meneses diz que a sua escolha foi
feita pelo Conselho do Governo, a nova presidente do HDES disse que,
sendo o secretário regional da Saúde um dos membros do governo entendia
que a sua resposta indica que o seu nome foi uma escolha sua também e
consensualizada por todo o governo, o que a deixa “tranquila”, tendo
vincado a abertura de Clélio Meneses para lhe prestar toda a informação
que considerasse útil.
Conselho de administração mantém dois elementos da anterior equipaA
presidente do conselho de administração do Hospital Divino Espírito
Santo nomeada pelo Governo Regional revelou, ontem, na Comissão dos
Assuntos Sociais do parlamento regional, que vão manter-se na
administração a enfermeira diretora Lúcia Rodrigues e o economista Luís
Almeida.Manuela Gomes de Menezes escusou-se a revelar os restantes
novos membros da equipa quando questionada sobre isso na comissão, mas
acabou por dizer que será uma equipa multidisciplinar com profissionais
da medicina, enfermagem, gestão, recursos humanos e da área jurídica.
A presidente do conselho de administração do HDES disse que a
divulgação dos nomes será feita em breve pelo Governo Regional.