Hantavírus: OMS assume que situação em navio era preocupante
Hoje 19:58
— Lusa/AO online
"Estão agora em boas mãos.
Estávamos muito preocupados. Se ficassem mais tempo no barco a situação
poderia ser difícil", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom
Ghebreyesus, após a conclusão, na ilha de Tenerife, nas Canárias, da
operação de desembarque e repatriamento de 125 pessoas que estavam no
cruzeiro "MV Hondius".Tedros Adhanom
Ghebreyesus deu como exemplo o caso de uma passageira francesa, que foi
repatriada no domingo e está em estado crítico, depois de ter tido
sintomas da doença durante o voo para Paris.Um teste feito à chegada a França confirmou que está infetada com hantavírus."Está
numa situação muito crítica. Imaginem se tivesse ficado mais tempo no
barco. O repatriamento foi a coisa certa. Tripulantes e passageiros
estão a ter agora o apoio e assistência necessários", acrescentou Tedros
Adhanom Ghebreyesus, que falava numa a jornalistas no porto de
Granadilla, Tenerife, ao lado da ministra espanhola da Saúde, Mónica
García.O diretor-geral da OMS voltou a
apelar a todos os países para colocarem as pessoas que estavam no barco
em quarentena, durante 42 dias, o tempo de incubação máximo do
hantavírus."Acredito que os países farão
tudo para proteger os seus cidadãos", afirmou, sublinhando que a
quarentena pode ser feita em casa.Tedros
Adhanom Ghebreyesus apelou também à solidariedade, compaixão e empatia
com as pessoas que estiveram no cruzeiro "MV Hondius", durante uma
viagem em que foram confirmados várias infeções com hantavírus e em que
morreram três passageiros, dois deles a bordo do navio.Passaram
por uma situação de grande stress, sobretudo depois de o barco ter
estado de quarentena em Cabo Verde, onde foram retiradas pessoas com
sintomas de doença, e na viagem até às Canárias, onde o navio ancorou no
domingo.Tedros Adhanom Ghebreyesus elogiu
o comandante do navio, que disse ser "um líder incrível", e garantiu
apoio aos 25 tripulantes (que considerou uma "tripulação corajosa") que
seguem no "MV Hondius", para o levar até Roderdão, nos Países Baixos, o
país de bandeira do cruzeiro e do armador.O navio zarpou hoje às 19:00 (mesma hora em Lisboa) de Tenerife e a bordo seguiram também um médico e uma enfermeira da OMS.A operação nas Canárias envolveu mais de 20 países, a OMS e a União Europeia.Foram
confirmados até agora, pela OMS e pelo Centro Europeu de Controlo de
Doenças (ECDC, na sigla em inglês) sete casos de infeção com hantavírus
em pessoas que viajaram no cruzeiro "MV Hondius", que saiu do sul da
Argentina no início de abril. Três pessoas morreram.Existem
ainda outros casos suspeitos ou prováveis, incluindo o de um
norte-americano repatriado no domingo desde Tenerife que os EUA
classificaram como "positivo fraco", enquanto a OMS e o ECDC o
classificam como não conclusivo.O
hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infetados. A
variante detetada no paquete, o hantavírus Andes, é rara e pode
transmitir-se de pessoa para pessoa.Os sintomas da infeção são, inicialmente, semelhantes aos da gripe, como tosse, fadiga ou dores de cabeça e musculares.A OMS garantiu que o risco deste surto para a população em geral é baixo.