Hamas tenta negociar trégua com mediadores mas "sem progressos"
Médio Oriente
9 de mai. de 2025, 12:39
— Lusa/AO Online
“As
autoridades egípcias envolvidas nas negociações reuniram-se duas vezes
com uma delegação de alto nível do Hamas liderada pelo
[negociador-chefe] Khalil al-Hayya e as autoridades do Qatar para as
negociações, na quarta e quinta-feira, em Doha”, disse uma das duas
fontes referidas pela AFP.As negociações “foram sérias”, mas não levaram a “nenhum progresso tangível”, afirmou a segunda fonte.Depois
de uma trégua de dois meses, Israel retomou a ofensiva na Faixa de Gaza
a 18 de março com o objetivo declarado de forçar o Hamas a libertar os
reféns ainda ali retidos desde o ataque realizado em território
israelita pelo movimento palestiniano a 07 de outubro de 2023.Um
cessar-fogo ativo entre 19 de janeiro e 17 de março permitiu que 33
reféns israelitas abandonassem Gaza — incluindo oito mortos — em troca
da libertação de cerca de 1.800 palestinianos detidos em Israel.As negociações para pôr fim aos conflitos, mediadas pelo Egito, Qatar e Estados Unidos, não tiveram sucesso até ao momento.Exigindo
um “acordo abrangente” que ponha fim à guerra, o Hamas rejeitou uma
proposta israelita de tréguas de pelo menos 45 dias, incluindo a troca
de reféns israelitas por prisioneiros palestinianos e a autorização de
entrada de ajuda humanitária em Gaza.Israel exigiu o regresso de todos os reféns e a desmilitarização da Faixa de Gaza.Na
segunda-feira, o Governo israelita anunciou um plano para conquistar o
enclave palestiniano, o que implicará uma deslocação em massa da
população, plano que recebeu uma ampla condenação da comunidade
internacional.No entanto, um responsável
das autoridades de segurança israelitas adiantou existir ainda “uma
janela” para negociações que garantam a libertação dos reféns até ao
final da visita do Presidente norte-americano, Donald Trump, ao Médio
Oriente, prevista entre 13 e 16 de maio.A
guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada por um ataque do Hamas ao sul
de Israel, a 07 de outubro de 2023, que resultou na morte de 1.218
pessoas do lado israelita, a maioria dos quais civis, de acordo com
dados oficiais.Das 251 pessoas raptadas
pelo Hamas nesse dia, 58 ainda estão detidas em Gaza, incluindo 34
declaradas mortas pelo exército israelita. O Hamas guarda também os
restos mortais de um soldado israelita morto numa guerra anterior em
Gaza, em 2014.A ofensiva israelita levada a
cabo em retaliação pelo ataque de 07 de outubro fez pelo menos 52.760
mortos em Gaza, a maioria dos quais também civis, segundo dados do
Ministério da Saúde do Hamas, considerados fiáveis pela ONU.