Hamas propõe um Governo palestiniano independente no pós-guerra
Médio Oriente
12 de jul. de 2024, 11:05
— Lusa/AO Online
“Propusemos que um governo
apartidário com competência nacional governasse Gaza e a Cisjordânia
depois da guerra”, disse num comunicado Hossam Badran, membro do braço
político do movimento palestiniano, sobre as negociações indiretas em
curso entre Israel e o Hamas sob a mediação do Qatar, do Egito e dos
Estados Unidos.“A administração de Gaza
depois da guerra é um assunto interno palestiniano que não deve sofrer
qualquer interferência externa, e não discutiremos (o pós-guerra) em
Gaza com qualquer parte estrangeira”, acrescentou Badran.No
entanto, um líder do Hamas declarou à agência de notícias AFP, sob
condição de anonimato, que a proposta deste governo apartidário tinha
sido apresentada “para os mediadores”.Esse
governo terá de gerir “os assuntos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia na
primeira fase do período pós-guerra” e “traçar o caminho para as
eleições gerais”, disse a fonte.A guerra
eclodiu a 07 de outubro, após o ataque sem precedentes do Hamas em solo
israelita, que resultou na morte de cerca de 1.200 pessoas, a maioria
civis, segundo Israel.Das mais de 250 pessoas raptadas, 116 ainda são reféns em Gaza, 42 das quais foram declaradas mortas pelo exército israelita.O
primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, prometeu acabar com o
Hamas em retaliação ao ataque do grupo palestiniano e a campanha militar
de Israel contra a Faixa de Gaza devastou o pequeno território,
deixando mais de 38 mil mortos, a maioria civis, segundo dados do
Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.As atuais negociações, que a comunidade internacional pretende que levem ao fim da guerra, decorrem em Doha e no Cairo.Na
capital do Qatar, negoceia-se o cessar-fogo e as modalidades de
libertação de reféns israelitas em troca de prisioneiros palestinianos,
assim como a forma que a Faixa de Gaza deverá ser administrada após a
guerra.No Cairo, as discussões centram-se
na forma de aumentar a ajuda humanitária ao território palestiniano e,
em particular, as condições para a reabertura do ponto de passagem de
Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, e o seu controlo.Na
quinta-feira, o primeiro-ministro israelita reuniu-se com o chefe da
delegação israelita que regressou de Doha, David Barnea, diretor da
Mossad (serviços de informação), para fazer um balanço do andamento das
conversações, segundo um comunicado oficial.Segundo
a mesma nota, uma delegação liderada pelo chefe do Shin Bet (segurança
interna), Ronen Bar, iria ao Cairo na quinta-feira à noite “para dar
continuidade às conversações”.