Hamas pronto para tréguas se Israel se comprometer com o cessar-fogo
Médio Oriente
25 de out. de 2024, 12:24
— Lusa/AO Online
O Hamas “mostrou-se
disposto a cessar as hostilidades, mas Israel deve comprometer-se com um
cessar-fogo e a uma retirada da Faixa de Gaza, [a permitir] o regresso
das pessoas deslocadas e [aceitar] um acordo sério para uma troca” de
reféns israelitas detidos em Gaza por prisioneiros palestinianos, além
de “autorizar a entrada de ajuda humanitária” em Gaza, disse o
responsável, citado pela agência France-Presse (AFP). Uma
delegação do Hamas discutiu no Cairo “ideias e propostas” para a
retomada das negociações com vista a um cessar-fogo, acrescentou.Israel
confirmou que enviará este fim de semana o líder dos serviços secretos,
Mossad, David Barnea, a Doha para retomar as negociações para um
cessar-fogo na Faixa de Gaza e a libertação de reféns.Além
de Barnea, as conversações incluirão o novo chefe dos serviços secretos
egípcios, Hassan Mahmoud Rashad, possivelmente o responsável dos
serviços secretos norte-americanos da CIA, William Burns, e o
primeiro-ministro do Qatar, Mohammed ben Abdelrahmane Al-Thani, o
interlocutor do grupo islamita palestiniano, uma vez que o Hamas não
está diretamente envolvido.Em conferência
de imprensa conjunta com o secretário de Estado norte-americano, Antony
Blinken, Al-Thani anunciou hoje, em Doha, terem sido retomados os
contactos com o Hamas após a morte, há uma semana, do seu líder máximo,
Yahya Sinouar.O responsável dos Estados
Unidos afirmou, por seu lado, esperar que os negociadores se reunissem
nos próximos dias para tentar alcançar uma trégua em Gaza, apelando mais
uma vez a Israel e ao Hamas para que cheguem a um acordo.Desde
uma breve trégua, há 11 meses, durante a qual foram libertadas dezenas
de reféns detidos na Faixa de Gaza, as sucessivas rondas de negociações
sobre Gaza não tiveram quaisquer resultados.No
entanto, o homicídio, por soldados israelitas, de Yahya Sinouar, tido
como mentor do ataque do Hamas de 07 de outubro de 2023 contra Israel,
reativou as esperanças de um reatamento das conversações, já que o líder
do Hamas era considerado um obstáculo nas negociações conduzidas com a
ajuda dos Estados Unidos, do Qatar e do Egito, segundo a AFP.As
últimas reuniões ocorreram em agosto, no Egito e no Qatar, com base num
plano apresentado no final de maio pelo Presidente norte-americano, Joe
Biden.Depois de meses a defender este
plano, o chefe da diplomacia norte-americana afirmou hoje que os Estados
Unidos estavam a considerar “diferentes opções” para acabar com a
guerra.“Estamos a considerar diferentes opções”, afirmou. Blinken
anunciou também uma ajuda suplementar de 135 milhões de dólares (124
milhões de euros) aos palestinianos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia.