Hamas diz esperar resposta "clara e oficial" do Conselho da Paz sobre acordo
Médio Oriente
Hoje 11:51
— Lusa/AO Online
"O movimento Hamas
e as fações palestinianas mantêm-se no que foi acordado na
implementação da segunda fase do acordo de cessar-fogo, incluindo os
compromissos de todas as partes, e esperamos uma resposta clara e
oficial do senhor Nikolay Mladenov e dos irmãos mediadores sobre o que
foi acordado", publicou o grupo na noite de segunda-feira.O
Conselho da Paz garantiu na segunda-feira ao primeiro-ministro de
Israel, Benjamin Netanyahu, que este país deve retirar do território
palestiniano apenas depois do desarmamento "completo" do Hamas, após uma
reunião entre o alto representante para Gaza do conselho, Nikolai
Mladenov, e o governante israelita.Segundo
noticiaram ainda o Canal 12 israelita e o portal i24 news, citando
fontes do organismo patrocinado por Donald Trump, o alto representante
do Conselho da Paz para Gaza tinha pedido na reunião com Netanyahu, que
este suspendesse durante 14 dias as operações no enclave palestiniano
para permitir o início das negociações sobre a desmilitarização do
Hamas.Mladenov, acompanhado pelo
conselheiro do Conselho da Paz Aryeh Lightstone, transmitiu a Netanyahu
que Israel deverá interromper as operações militares em cumprimento dos
compromissos previstos no plano de paz de 20 pontos impulsionado por
Donald Trump, referiram aqueles meios.Israel
tinha expressado a Washington as suas "preocupações" sobre o acordo
anunciado por Trump para lançar a segunda fase do seu plano para Gaza.O Hamas, por sua vez, tinha anunciado sexta-feira que aceitava o plano elaborado pelo Conselho da Paz.Apesar
da conclusão de um cessar-fogo em outubro de 2025, as hostilidades
nunca cessaram no território devastado por dois anos de guerra, com
ambos os lados a acusarem-se mutuamente de violar a trégua.Desde
outubro, mais de 1.200 palestinianos foram mortos em Gaza, segundo o
Ministério da Saúde, cujos números são considerados fiáveis pela ONU. O
exército israelita, por seu lado, registou cinco soldados mortos no
período, assim como um funcionário civil.Qatar,
Egito e Turquia, países mediadores do cessar-fogo entre Israel e Hamas,
condenaram na segunda-feira os ataques israelitas à Faixa de Gaza nos
últimos dias.Numa declaração conjunta, os
três países manifestaram "forte condenação e repúdio" pelas "violações"
por Israel no território palestiniano, sublinhando também a importância
de Telavive "cumprir as suas obrigações" e "compromissos no âmbito do
acordo de cessar-fogo" alcançado em outubro.Além
disso, denunciaram que os contínuos ataques de Israel à Faixa de Gaza
não só "violam o acordo", como também "minam os esforços para a
implementação" da segunda fase deste, que estipula que o Hamas e outras
fações palestinianas deponham as armas.Donald
Trump anunciou na quinta-feira um pacto para o "desarmamento total" do
Hamas, no qual Israel se compromete com os termos do Protocolo de Sharm
el-Sheikh, assinado em outubro de 2025, em particular a "cessação das
operações militares", segundo o guião publicado pelo Conselho da Paz.Este
roteiro prevê ainda a eliminação gradual das capacidades militares do
Hamas e de outras fações em Gaza, sob a condição de Israel cessar os
seus ataques.No entanto, os ataques
israelitas a Gaza durante o fim de semana causaram a morte de pelo menos
28 palestinianos, continuando na segunda-feira, com pelo menos mais
duas mortes no enclave.