Hamas denuncia escalada de bombardeamentos e ações israelitas
Médio Oriente
Hoje 16:45
— Lusa/AO Online
Apesar do
cessar-fogo acordado entre as partes e em vigor desde 10 de outubro de
2025, sob o patrocínio de Estados Unidos da América, Egito, Qatar,
Turquia e Arábia Saudita, o grupo armado palestiniano reclama que Israel
viola constantemente a trégua, "deixando centenas de mártires e
milhares de feridos devido aos ataques aéreos e de artilharia,
demolições e disparos".“A ocupação
continua a guerra e o assédio apesar das reuniões e conversações sobre a
paz, o [futuro] Conselho, as mediações, os encontros. Não parou o
derramamento de sangue do nosso povo em Gaza nem a destruição do que
resta, numa operação de limpeza étnica à vista de todo o mundo”, disse o
porta-voz do Hamas, Hazem Qasem.O mesmo
responsável palestiniano acrescentou que os ataques israelitas acontecem
no meio de uma onda de frio extremo no enclave – que já fez também
dezenas de mortos -, pois existem restrições à entrada de ajuda
humanitária.O que para o Hamas são
violações do cessar-fogo para Israel são ações específicas dirigidas a
alvos “terroristas”, que implicam a “ameaça” às suas tropas,
estacionadas na denominada “linha amarela”, em cerca de 53% daquele
território palestiniano.O Hamas condenou
recentemente a inclusão do primeiro-ministro israelita, Benjamin
Netanyahu, no Conselho da Paz, promovido pelo Presidente
norte-americano, Donald Trump, e que integra mais de 50 chefes de Estado
ou de Governo de todo o mundo.O acordo de
cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro entre Israel e o Hamas na
Faixa de Gaza constituiu a primeira fase do plano de paz proposto pelo
Presidente norte-americano.Esta fase da
trégua envolveu a retirada parcial do exército israelita para a
denominada "linha amarela" demarcada pelos Estados Unidos, linha
divisória entre Israel e a Faixa de Gaza, a libertação de 20 reféns
vivos em posse do Hamas e de 1.968 prisioneiros palestinianos.O
cessar-fogo visa pôr fim a dois anos de guerra em Gaza, desencadeada
pelo ataque de 07 de outubro de 2023 do Hamas a Israel, no qual cerca de
1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas. No
entanto, desde 10 de outubro de 2025, mais de 466 palestinianos foram
mortos por fogo israelita na Faixa de Gaza, segundo as autoridades
locais, e a segunda fase do plano, agora em curso, continua a ser
marcada por mortes quase diárias de palestinianos em ataques israelitas.A
retaliação de Israel ao ataque de 2023 do Hamas fez, até agora, em
Gaza, mais de 71.500 mortos - entre os quais mais de 20.000 crianças - e
mais de 172.000 feridos, na maioria civis, segundo números atualizados
(com as vítimas das violações do cessar-fogo por Israel) pelas
autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.