Haddad assume Portugal como exemplo de superação da política de austeridade
Brasil/Eleições
15 de out. de 2018, 16:19
— Lusa/AO Online
"Pretendemos
reforçar estas relações e se aproximar numa perspetiva de enfrentamento
bem sucedido à política de austeridade, desenvolvido pelo governo
português quando esta [política] lhe foi imposta durante a crise de 2009
- 2010", afirmou o candidato, numa resposta por escrito a uma questão
colocada pela agência Lusa. "O
que foi desenvolvido [em Portugal] é um exemplo importante para todos
nós e vem de encontro ao que também defendemos", acrescentou.Sobre
as negociações de um acordo de livre comércio entre o Mercosul - bloco
económico fundado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai - e a União
Europeia (EU), o candidato disse que se for eleito apoiará "todos os
acordos destinados a ampliar comércio e investimentos mútuos, desde que
tais acordos sejam simétricos e beneficiem os setores produtivos
nacionais". "O
plano de Governo não apoia acordos assimétricos que contenham
cláusulas, como as relativas ao regime jurídicos dos investimentos
externos, compras governamentais e propriedade intelectual, que impeçam o
Estado brasileiro de desenvolver políticas de desenvolvimento, de
ciência e tecnologia e de industrialização", acrescentou. Nesse
sentido, Haddad, que disputa a segunda volta das presidenciais
brasileiras contra o candidato Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal
(PSL), avaliou que "é muito pior um acordo ruim, que comprometerá nosso
desenvolvimento e nossa soberania, que nenhum acordo". "No
caso específico do acordo com a UE, também preocupa-nos o manto de
sigilo que vem cercando ultimamente as negociações. Na gestão Haddad,
tais negociações terão de ser transparentes e deverão contar com
participação ativa de trabalhadores urbanos e rurais, empresários,
intelectuais, parlamentares, ONG especializadas", apontou."Esperamos chegar a um acordo equilibrado com a UE e com todos os outros blocos econômicos e países", concluiu.O
sucessor do ex-Presidente Lula da Silva - preso por corrupção e
proibido pela Justiça de participar das eleições após ser condenado em
segunda instância - na lista do PT, segue em desvantagem na última
sondagem divulgada na semana passada pelo Instituto Datafolha, com 42%
das intenções de voto, 16 pontos percentuais atrás de Bolsonaro (58%) na
preferência dos eleitores.A segunda volta das eleições presidenciais do Brasil acontece no próximo dia 28 de outubro.