“Há fundamento” para “boa resposta” da APA à impugnação de obras no Aeroporto de Lisboa
13 de jan. de 2025, 11:08
— Lusa/AO Online
“A
APA tem 30 dias para responder e vai responder, porque, na verdade,
essa obra, embora tenha sido tomada no anterior governo, é uma obra por
nós assumida e que já começou: foi assinado o contrato em novembro
passado. [A obra] Não aumenta a capacidade [do aeroporto] e, portanto,
nesses termos a APA vai responder”, disse a ministra aos jornalistas, à
margem da sessão de inauguração da nova ponte de acesso à Praia de Faro,
no Algarve.Em causa está a ação de
impugnação entregue pelo Ministério Público (MP) no Supremo Tribunal
Administrativo que pode levar à suspensão das obras que tinham arrancado
em dezembro de 2024, como noticiou o Jornal de Negócios.Na
base do processo está a interpretação do Ministério Público sobre a
necessidade da realização de uma avaliação de impacte ambiental (AIA) na
primeira fase dos trabalhos de melhoria da Portela que prevê, por
exemplo, a expansão do terminal 1 e a criação de uma placa de
estacionamento de aviões.O Ministério
Público sustenta ainda a necessidade de um estudo já nesta fase uma vez
que desde 2006 nenhum projeto na Portela foi sujeito a uma avaliação
ambiental.Por sua vez, a APA defende que
não seria necessária uma avaliação ambiental nesta fase uma vez que não
iria alterar o aumento da capacidade da infraestrutura, prevendo
realizar um estudo apenas para o aumento da capacidade de voos.Salientando
que essas obras, originadas a partir de uma decisão do Conselho de
Ministros de 28 de dezembro de 2023, não pressupunham um aumento da
capacidade do Aeroporto Humberto Delgado, Maria da Graça Carvalho
afirmou que “há fundamento para uma boa resposta” da APA.“Dado
a característica dessa obra, porque essa obra não aumenta a capacidade
do aeroporto, é só para dar melhores condições aos passageiros, [o
anterior Governo] decidiu que não era preciso um estudo de impacte
ambiental”, recordou a ministra.Segundo
Maria da Graça Carvalho, a obra, orçada em 200 milhões de euros, serve
“para melhorar as condições dos passageiros” e é “muito importante para
dar condições e espaço na gare a quem circula”.Questionada
sobre possíveis atrasos, a ministra do Ambiente e Energia remeteu para a
resposta da APA, garantindo que a agência “está a trabalhar com todo o
cuidado para responder ao Ministério Público”.O
Ministério Público quer ainda ver anulada a resolução de Conselho de
Ministros de maio de 2024, já da responsabilidade do atual Governo, que
“prevê medidas para reforçar a capacidade do Aeroporto Humberto
Delgado”, assim como os pareceres favoráveis da Agência Nacional de
Aviação Civil (ANAC).“Há uma segunda fase
[de obras], que já foi decidida por este Governo, em que a decisão
imediata da APA foi fazer um estudo de impacte ambiental. [Para] essa
segunda fase, [que] aumenta a capacidade [do aeroporto], seria sempre
preciso um estudo de impacte ambiental”, apontou a ministra.O
Ministério Público (MP) apresentou em dezembro uma petição no Supremo
Tribunal Administrativo (STA) para “a declaração de nulidade e anulação
de diversos atos administrativos” relacionados com obras de modificação e
ampliação no aeroporto de Lisboa.A
notícia da ação interposta pelo MP a 12 de dezembro junto do STA foi
avançada no dia 09 de janeiro pelo Jornal de Negócios e confirmada à
Lusa pelo STA, que esclareceu que o processo se encontra neste tribunal
em fase de citação, ou seja, a fase em que “se dá conhecimento às
entidades demandadas e aos contrainteressados de que contra eles foi
proposta uma determinada ação, e que são chamados ao processo para
dentro do prazo legal, se defenderem e pronunciarem”.Segundo
os esclarecimentos deste tribunal à Lusa, segue-se a fase de
apresentação de contestações, não tendo sido apresentada qualquer
providência cautelar neste âmbito.