Há cinco lusodescendentes candidatos ao congresso e três têm reeleição à vista
EUA/Eleições
3 de nov. de 2020, 11:46
— Lusa/AO Online
Freitas concorre pela primeira vez ao
congresso e está a tentar ganhar o 7.º distrito da Virginia, que em 2018
passou dos republicanos para o controlo dos democratas. A
plataforma FiveThirtyEight atribui o favoritismo à agora incumbente
Abigail Spanberger, que tem uma probabilidade de 79 em 100 de vencer. Em
termos percentuais, projeta-se que a democrata receba 53,3% dos votos,
contra 46,7% do lusodescendente. Nick
Freitas, até agora membro da legislatura estadual na Virginia, é um
forte apoiante do Presidente dos EUA, Donald Trump, que manifestou
publicamente o seu apoio ao candidato lusodescendente num distrito que
sempre foi mais republicano que democrata. Em
2016, Trump não conseguiu ganhar o estado da Virginia mas teve uma
maioria de votos neste distrito. No entanto, a democrata Abigail
Spanberger virou o assento em 2018 com um resultado que surpreendeu os
republicanos, à medida que o descontentamento para com o Presidente
cresceu no distrito. No caso de David
Gonçalves Valadão, trata-se de uma tentativa de recuperar o assento que
tinha pelo 21.º distrito da Califórnia e que perdeu, de forma também
surpreendente, nas eleições intercalares de 2018. Segundo
o algoritmo da FiveThirtyEight, a probabilidade de o lusodescendente
ganhar é de 44 em 100. Isto significa que o opositor democrata, TJ Cox, é
agora considerado ligeiramente favorito para sair vencedor pelo modelo
estatístico (probabilidade de 56 em 100), depois de esta corrida ter
sido caracterizada como incerta por ter margens demasiado renhidas. Em
termos de voto popular, as sondagens projetam que o lusodescendente
David Valadão receba 49,4% dos votos, contra 50,6% de TJ Cox, uma
diferença mínima que reflete o pendor conservador do distrito, uma zona
do vale de São Joaquim que engloba partes do condado de Kings, Fresno,
Kern e Tulare.Ali perto, no 22.º distrito,
o resultado deverá ser o oposto: o republicano lusodescendente Devin
Nunes é o claro favorito à vitória, com uma probabilidade de 97 em 100
de suplantar o opositor democrata Phil Arballo numa região conservadora
do vale central da Califórnia. A margem do voto popular, de acordo com a
FiveThirtyEight, deverá ser de 57,8% para Nunes e 42,2% para Arballo.Um
favoritismo ainda maior (mais de 99 em 100) assegura que Jim Costa,
democrata que representa o 16.º distrito da Califórnia, irá ser reeleito
contra o oponente republicano Kevin Cookingham. Costa deverá receber
64,9% dos votos. Dos lusodescendentes que
vão a votos para o congresso na eleição de hoje, Lori Loureiro Trahan é a
única que não tem opositor, o que garantirá a sua reeleição no 3.º
distrito de Massachussetts. Se todos forem
eleitos, passará a haver cinco representantes de origem portuguesa no
congresso, três dos quais pela Califórnia, estado que aglomera a maior
comunidade luso-americana do país (mais de 346 mil pessoas). Segundo
a Coligação Luso-Americana da Califórnia (CPAC), há pelo menos 111
candidatos lusodescendentes a concorrer aos mais diversos cargos no
estado, o que representa um aumento expressivo face aos 83 que se
candidataram em 2016. Cerca de metade dos
candidatos corre pela primeira vez, sendo que os restantes procuram ser
reeleitos. Os cargos incluem posições nos distritos escolares,
autarquias, distritos de irrigação e supervisão dos condados. Tom
Faria, por exemplo, procura ser eleito para presidente da câmara
municipal ('mayor') de Los Banos, e Dan Tavares Arriola vai tentar o
mesmo na cidade de Tracy, ambas no vale de São Joaquim. Em Union City,
na baía de São Francisco, Carol Dutra-Vernaci tentará a reeleição como
'mayor'. Há 25 candidatos ao conselho de várias cidades, como Tulare e
Hayward, muitos deles pela primeira vez. As
eleições desta terça-feira, 03 de novembro, incluem não apenas
presidência e congresso mas também procuradorias-gerais, cargos
autárquicos, lideranças locais e proposições estaduais, que referendam
questões tão diversas como impostos, privacidade e emprego.