Há "centenas de milhares" de crianças desalojadas em África pelas inundações
6 de set. de 2024, 16:32
— Lusa/AO Online
"Centenas de milhares de
crianças enfrentam doenças, fome causada pela destruição das culturas e a
interrupção da escolaridade, com escolas agora ocupadas por famílias em
fuga ou danificadas pelas inundações", avisou a ONG, apontando que as
chuvas torrenciais e as inundações da últimas semanas obrigaram cerca de
950 mil pessoas a procurar refúgio - 649.184 no Níger, 225.000 na
Nigéria e 73.778 no Mali.No Níger, cujo
território foi totalmente afetado, 273 pessoas morreram e mais de 700
mil foram afetadas desde o início da estação das chuvas em junho,
segundo o Governo.Na vizinha Nigéria, 29
dos 36 estados do país, principalmente no norte, foram afetados pela
subida das águas do rio Níger e do seu afluente Benue, os dois maiores
rios do país, causando a morte de mais de 200 pessoas, incluindo
crianças, segundo a Save the Children.“Mais
de 115.265 hectares de terras cultivadas também foram danificados”,
afirma a ONG, que cita dados governamentais e estima que ‘uma criança em
cada seis passou fome entre junho e agosto deste ano - um aumento de
25% em relação ao mesmo período do ano passado’.Por
último, no Mali, onde o Governo declarou o estado de catástrofe
nacional depois de as inundações terem provocado dezenas de mortos,
quase metade dos desalojados são crianças, “muitas das quais procuram
abrigo nas escolas, arriscando-se a atrasar o início do novo ano escolar
previsto para outubro”, lamenta a ONG.“Este
tipo de condições meteorológicas extremas está a tornar-se mais
frequente e mais severo devido à crise climática”, comenta a Save the
Children.Além disso, “estes países já são
devastados por conflitos e insegurança, o que torna a resposta ainda
mais difícil”, comentou a diretora regional de comunicação da Save the
Children para a África Ocidental e Central, Vishna Shah-Little.Os
alertas da ONG surgem na mesma semana em que o relatório "Estado do
Clima em África 2023", da Organização Mundial Meteorológica (OMM) sobre
os custos das alterações climáticas em África, foi publicado, dando
conta que "em média, os países africanos estão a perder 2% a 5% do PIB e
muitos estão a desviar até 9% dos seus orçamentos para responder aos
fenómenos climáticos extremos"Apresentado
na 12.ª Conferência sobre Alterações Climáticas para o Desenvolvimento
em África (CCDA), em Abidjan, o relatório apontava para que o custo da
adaptação climática na África subsaariana se vá situar entre 30 e 50 mil
milhões de dólares (cerca de 27 a 45 mil milhões de euros) por ano
durante a próxima década, ou seja, 2% a 3% do PIB da região.